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A louca corrida dos corpos em movimento

Grande momento, segunda-‐feira a noite, com a nova criação do jovem brasileiro Bruno Beltrão

Jean‐Marie Wynants Et Catherine Makereel

Le Soir

Grande momento, segunda-‐feira a noite, com a nova criação do jovem brasileiro Bruno Beltrão Com a cabeça jogada para trás, o corpo arqueado para o céu, homens dão passos curtos e rápidos, como se capturados por uma força exterior ou cativados por um milagre vindo do céu. Essa imagem forte e estranha aparece como fio condutor em H3, a nova produção do jovem brasileiro Bruno Beltrão. Na noite de segunda-­‐feira, na Raffinerie, a estréia do espetáculo se encerrou com uma avalanche de bravos de um público que incluiu William Forsythe, Anne‐Teresa De Keersmaeker e Pierre Doulers ent re os mais entusiasmados. E dá para entender por quê. Fundado em 1996, no Rio de Janeiro, o Grupo de Rua tornou‐se conhecido inicialmente no domínio do hip-­hop e da dança de rua. 


Rapidamente, entretanto, Bruno Beltrão desafiou outros territórios e deslanchou, em 2002, uma carreira internacional. Coreógrafo de talento, conseguiu dar ao hip-­‐hop uma nova imagem, distante de todos os clichês. De modo semelhante a como William Forsythe fez com a dança clássica. Um e outro souberam utilizar uma série de figuras codificadas, a virtuosidade dos intérpretes, uma técnica precisa e uma liberdade extraordinária do imaginário, para criar espetáculos francamente atuais rompendo todas as barreiras do gênero. Com Beltrão, o hip-­‐hop, dança individual por natureza, é praticada em grupo: duos, trios, movimentos amplos simultâneos. 


Longe de acontecer em um único ponto onde o dançarino se exibe, a coreografia ocupa todo o espaço, cria pontos de força, equilíbrios, amplos vôos circulares. As figuras de base ali estão, reconhecidas instantaneamente, mas nunca executadas pelo simples prazer da demonstração. Os movimentos se encadeiam, os corpos se soltam no espaço, correm a toda velocidade, se roçam, se desafiam, lembram às vezes a dança contato ou alguma forma de improvisação praticada por coreógrafos contemporâneos como Anne Teresa De Keersmaeker ou Thomas Hauert. 


Há um quê tosco, potente, algumas vezes agressivo, nessa maneira de se lançar no movimento depois fragmentá‐lo em pleno impulso. Mas há sobretudo um domínio fantástico do corpo, do gesto mais anódino, da relação com o outro. 


Um mundo que corre em círculos 


Sem procurar trazer ao palco o ambiente da rua, Beltrão nos instala em um espaço fechado. Como Pierre Droulers em Flowers, Beltrão recria, de certa maneira, os locais rústicos em que seu espetáculo foi concebido. Projeção luminosa de janelas imaginárias e ruídos da rua. De resto, só os corpos: ágeis, potentes, flexíveis, vigorosos, às vezes frágeis também. Corpos que procuram seu lugar em um mundo em que freqüentemente se corre em círculos, quase sempre andando de costas. Você disse metáfora? 


H3, até 18 de maio, na Raffinerie. http:..www.lesoir.be.culture.scenes.kunstenfestivaldesarts-lehip- 2008-05-14-598149.shtml

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