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A mudança na imagem da dança de rua

Annikki Alku

Helsingin Sanomat

O festival de cultura urbana URB05, que terminou em Helsinque, demonstrou de forma bastante interessante, em suas duas últimas apresentações de dança, a veracidade de certas tendências em sua trajetória da marginalidade para o mainstream. Um fenômeno que, na minha opinião, está ocorrendo atualmente na dança break.

É uma jornada que vai do convívio entre amigos e da competição mútua, com a formação de diferentes estilos, para um vocabulário de movimentos mais sistemático. Nas apresentações, isso se reflete na evolução das performances improvisadas iniciais e números individuais para conjuntos mais amplos e bem pensados, na influência de outros estilos de dança e na mudança de conteúdo, passando da mera habilidade motora para histórias e opiniões.

Além dos convidados estrangeiros do festival, o URB também apresentou o estado atual da dança de rua finlandesa. Desta vez, no palco não estavam os grupos mais ou menos conhecidos, quase profissionais, mas sim o próximo nível.

Na noite Omat kuviot (Padrões próprios), no palco do Stoa, na quinta-feira, foram apresentados quatro grupos vindos de Huittinen, Jyväskylä e Helsinque. Embora os grupos fossem diferentes em termos de experiência e composição, todos tinham em comum o desejo de contar uma história. Nenhuma apresentação foi apenas uma série de números de dança, mas o movimento e a dança serviram ao conteúdo desejado – e serviram muito bem.

É claro que a diferença de habilidade e experiência tanto na dança quanto na construção da coreografia era visível, mas cada apresentação cativou o público e o manteve interessado até o fim.

Absurdo beckettiano

O grupo aBekru, formado por três jovens de Huittinen, apresentou parte de sua obra 3speed, ainda em preparação. A apresentação vista foi a mais abstrata em termos de conteúdo e baseou-se em curtas partes solo e em grupo que se sucediam.

A apresentação Once Upon a Time at Bus Stop, do grupo Rancid Rockers, de Jyväskylä, composto por quatro membros, foi claramente teatral, e sua história sobre pessoas que se encontram em um ponto de ônibus no meio do nada lembrou até mesmo o mundo absurdo de Beckett.

Talvez o grupo mais experiente da noite tenha sido o High Voltage, de Helsinque, composto por cinco membros, cuja apresentação Sade foi um conjunto coeso e habilidoso, no qual cada um dos dançarinos pôde mostrar suas habilidades já bastante desenvolvidas em diferentes estilos de break.

Até agora, essa modalidade tem sido predominantemente masculina, praticada por meninos e jovens adultos. Gradualmente, as meninas também têm conquistado espaço nessa modalidade. O grupo Rancid Rockers tinha uma garota, mas o Exhale, de Helsinque, que encerrou a noite Omat kuviot, era composto apenas por cinco garotas.

A obra de Heidi, Comment avoir le savoir?, tratava da aquisição de todo tipo de conhecimento e seu uso no trabalho do dançarino. A apresentação, composta por cenas curtas, era muito versátil em termos de técnica de dança, pois, além dos estilos de break, tinha influências do afro e do jazz. Os dançarinos dominavam as diferentes técnicas de forma muito equilibrada e sabiam tomar conta do palco de forma espetacular quando necessário.

Os impressionantes brasileiros

As apresentações do Grupo de Rua de Niterói no Kiasma no fim de semana do URB05 corresponderam às expectativas e mostraram que uma apresentação de break pode ser muito artística e multifacetada, sem comprometer em nada sua essência, sua energia e sua habilidade técnica.

Pois era isso que os cinco dançarinos do grupo realmente eram. Além de sua especialidade – fosse locking, popping, top rock, funk brasileiro etc. –, cada um deles também dominava com facilidade as outras modalidades. A obra coletiva de Bruno Beltrão, Too Legit to Quit, que abriu a noite, foi tanto uma excelente aula de dança de rua quanto uma crítica à mentalidade de acrobacias que caracteriza o estilo.

O líder e coreógrafo do grupo, Beltrão, de 25 anos, quis questionar os princípios da dança break em suas obras e experimentar se as coisas poderiam ser feitas de outra maneira.

Um dos fundamentos do estilo tem sido a batida da música e a maior velocidade possível dos movimentos. Mas e se a música fosse deixada de lado e os movimentos fossem desacelerados, repetidos e divididos em partes – qual seria o resultado? Isso foi visto na segunda obra da noite, o dueto From Popping to Pop or Vice-Versa, dançado por Eduardo “Willow” Hermanson e Eduardo “Cavanha” Reis.

Dançada quase em silêncio, a obra tinha um tom seguro, carregado e quase hipnótico. Ela também mostrou que tanto Willow quanto Cavanha são incríveis mestres em sua arte, dominando cada detalhe de seus corpos.

A noite terminou com o solo de Willow, Me and My Choreographer in 63, que ele dançou ao som de uma conversa sua gravada secretamente. Em silêncio total — se o espectador assim o desejasse —, a conversa só podia ser ouvida nos fones de ouvido distribuídos a todos. A dança de Willow por si só já era excelente, mas a conversa, que abordava diferentes temas, conferia aos movimentos significados intencionais ou não intencionais emocionantes.

O Grupo de Rua de Niterói mostrou claramente que o break dance não é mais apenas um gênero marginal da cultura de rua, mas uma forma original de arte performática, capaz de transmitir uma grande variedade de mensagens.

Legenda foto:
O Grupo de Rua de Niterói, do Brasil, mostrou que uma apresentação de break pode ser tanto artística quanto tecnicamente de alto nível.

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