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A revelação Bruno Beltrão brinca de pensar e fazer dança sem dançar

Líder do Grupo de Rua de Niterói prepara apresentações na Europa

Adriana Pavlova

O Globo

O rapaz de apenas 22 anos que desde o ano passado virou personagem corriqueiro nas rodinhas de fofoca da dança contemporanea carioca parece um garoto que acabou de fazer arte. Sorriso sapeca, boné virado para trás e bermudão, Bruno Beltrão faz questão de explicar que não gosta nada de dançar, nem em festas. A cabeça pensante do Grupo de Rua de Niterói gosta é de fazer com que os outros gastem neurônios diante de suas invenções coreográficas: trabalhos que juntam dança contemporanea com os movimentos tipicos dos garotoes que se mexem nas ruas.

Grupo foi sensação do
›Panorama RioArte de Dança
A tática tem dado certo. Desde que entrou no circuito de coreógrafos e bailarinos da cidade, há apenas dois anos, Bruno já conseguiu chegar onde muita gente com 'estrada nunca sonhou. Esteve no Projeto Pró-Dança do estado, estreou "Eu e meu coreógrafo no 66" no Panorama RioArte de Dança — e virou sensação —e ainda derrotou nomes experientes na briga para participar do Rencontres Choregraphiques Internationales de Seine-St. Denis, em Paris, em junho.

Na temporada européia, a trupe participa do projeto Danças na Cidade, em Lisboa — fruto do Panorama — onde Bruno faz uma palestra. - Eles queriam que eu desse aulas em Portugal, mas recusei porque não sou coreógrafo — diz Bruno, marcando posição. - A pesquisa dos
movimentos não é minha, e sim dos bailarinos. Sou um DJ da dança, que só faz organizar o material dos outros. Eu não danço. Aliás, eu odeio dançar. Gosto de refletir, de pensar. Verdade.

Antes mesmo de começar a criar seu trabalhos que juntam boas doses de contemporâneo com street dance, Bruno debutou no mundinho da dança carioca com seu lado teórico. Aos 20 anos, produziu um texto sobre dança de rua para o segundo volume do livro "Lições de dança". O desdobramento prático do que ele escreveu surgiria logo ao vivo e a cores. Primeiro, o duo "Do pop ao popping" depois com "Eu e meu coreógrafo no 66", que abre os caminhos para um futuro espetáculo formado por cinco partes.

Sozinho em cena, o ótimo bailarino Eduardo Hermanson (Willow) faz movimentos de dança de rua, enquanto o público escuta, com ajuda de um fone de ouvido, uma conversa surreal e profunda sobre vida e filosofia entre ele e Bruno, gravada num quarto de hotel. — Sonho em ver pipocando no Brasil trabalhos de hip hop que tratem de arte, política e protesto de uma forma mais séria e aprofundada — diz Bruno, que está começando a fazer um documentário sobre a dança de rua no Brasil, mas ainda sofre com a falta de apoio e de verba para o sustento diário da companhia.

— Eu sou fã — assume a coreógrafa Lia Rodrigues. — Bruno é um menino inteligente, sensível, antenado, situado e politicamente tem uma posição interessante, que é de juntar a dança contemporânea com o que acontece na rua. A história de Bruno não é diferente de muitos rapazes dos subúrbios do mundo. Aos 13 anos, ele e os amigos de Niterói costumavam se encontrar numa boate para treinar passinhos. Montaram um grupo, fizeram sucesso, ganharam pré-mios e viajaram. A virada viria com a entrada do Bruno na faculdade de dança e a descoberta da teoria e da coreografia contemporâneas.

— A proposta é contra-argumentar sobre a produção em dança de rua no Brasil — diz ele, que recentemente assinou uma crítica sobre a polêmica em torno da companhia De Anima para o site Dança.Net. •

BRUNO BELTRÃO (à frente) e o bailarino Hermanson: mistura eficiente de danças de rua e contemporânea

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