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A rua brasileira chega ao palco

Se existe um paraíso para os b-boys, ele deve ser parecido com o “H3” de Bruno Beltrão.

Claudia La Rocco

The New York Times

Esta obra de uma hora, que estreou em Nova York no Theater Workshop no sábado, como parte da estreia da turnê americana do Grupo de Rua, é notavelmente livre da arrogância forçada e das acrobacias espalhafatosas que caracterizam tantas produções de hip-hop. Também não é uma dança de rua diluída e domesticada, tornada bonita e acessível para companhias de balé ou dança moderna. (Esqueça aquela palavra temida: fusão.) 


Em vez disso, embora re-contextualizado dentro de uma sensibilidade da dança contemporânea, o austero e belo “H3” captura algo da natureza essencial do hip-hop: suas relações agressivas, mas estranhamente ternas (o elenco masculino de nove pessoas é excelente); seus códigos de comportamento rígidos, oferecidos em desafio a uma cultura mais ampla; sua intensidade introspectiva, quase ritualística. 


A companhia é do Brasil, mas durante a apresentação fiquei pensando em uma tarde passada em um pequeno playground no Bronx, observando meninos locais dançando não por trocados, mas por eles mesmos; a energia, a poesia, eram as mesmas, e é apropriado, como disse a diretora artística do Dance Theater Workshop, Carla Peterson, no sábado, que a turnê nacional de estreia do Grupo de Rua termine na cidade onde o hip-hop começou. A iluminação perfeita de Renato Machado (às vezes forte, às vezes suave) alterna entre inundar o palco ou isolar seções menores, evocando a ideia de um círculo de hip-hop, ou cipher. Os homens, vestidos com jeans largos ou shorts e camisetas variadas, se dividem em duplas ou grupos maiores. Em uma das seções mais memoráveis, dois homens lançam seus companheiros no chão, onde eles correm rapidamente para trás em arcos que se cruzam, movendo os membros furiosamente. 


Em outros momentos, os artistas se enfrentam em duplas, avançando uns contra os outros como cavaleiros e se segurando no meio do salto com pegadas musculosas que rapidamente revertem suas trajetórias. Movimentos discretos e poderosos, como paradas de mão, pontuam frases fluidas e rápidas. 


O virtuosismo musculoso dos artistas é um prazer do início ao fim. Mas os trechos mais calmos da obra são igualmente eficazes. A trilha sonora percussiva e discreta de Lucas Marcier e Rodrigo Marçal, da ARPX, está em sintonia com a sensação de prontidão contida e quietude meditativa da coreografia. 


Trechos de silêncio, ruídos suaves do trânsito, o guincho das solas dos tênis e pulsos eletrônicos urgentes e suaves formam uma paisagem urbana abstrata. Esses homens se lançam, perseguem e rastejam por ela como uma tribo de meninos perdidos, comoventemente vulneráveis apesar de toda a sua ferocidade.

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