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Análise brasileira

Virando os estereótipos do hip-hop de cabeça para baixo

Jonna Strandberg

Programa URB

“O HIP HOP NÃO É IDEOLOGIA, NÃO TEM REGRAS. O HIP HOP É UM PONTO DE PARTIDA.”

O Grupo de Rua de Niterói, liderado por Bruno Beltrão (BRA), traz para o URBi uma forma de dança de rua nunca antes vista no Norte da Europa. O grupo é originário de Niterói, um subúrbio do Rio de Janeiro, onde a falta de salas de treino não parece ter afetado profundamente o desenvolvimento da dança. Beltrão e seu grupo conseguiram o que, à primeira vista, parece impossível: combinar dança de rua e filosofia. O programa inclui três obras com uma análise irônica dos estilos de dança hip hop.

No entanto, desde o início, a dança não foi a paixão de Beltrão:
– A coreografia nunca foi uma escolha óbvia para mim. Em vez disso, sempre quis fazer filmes, o que fazíamos com os amigos nos fins de semana quando éramos crianças. Escrevíamos o roteiro, dirigíamos, atuávamos, montávamos as luzes e os cenários. Meu ídolo era Steven Spielberg e, acima de tudo, eu queria ser ator. Quando comecei a frequentar clubes de dança mais tarde, percebi que a dança me oferecia dimensões totalmente novas. Aos poucos, fui me interessando cada vez mais e comecei a pensar se poderia fazer disso minha profissão.

As viagens e o apoio financeiro que recebi para estudar dança me incentivaram a seguir esse caminho. A dança nunca foi para mim a única forma de expressão válida, mas com o tempo percebi que através da dança consigo realizar os meus desejos mais profundos. O momento mais marcante foi quando descobri como combinar o meu hobby, a filosofia, com a dança de rua.

**Grupo de Rua — Filosofia e Ruptura**
Fundado em 1996, o Grupo de Rua de Niterói sempre quis subverter os estereótipos do hip hop. O uso de recursos filosóficos é resultado dos estudos de Beltrão no curso de dança da Universidade do Rio de Janeiro:
– Meu amigo e mentor Roberto Pereira me introduziu à filosofia. Com ele, começamos a explorar diferentes ramos da filosofia. Eu nunca teria imaginado que, além da arte, a filosofia pudesse se tornar tão importante para mim.
A maneira como a filosofia identifica os problemas e busca soluções para eles se aproxima do que eu quero fazer: encontrar respostas para questões privadas, políticas, estéticas e sociais – até mesmo questões sobre o amor! A filosofia é um campo muito sensível: ela questiona nossa compreensão, distorce nossos pensamentos e abala nossos fundamentos.

**Hip-hop e filosofia — como combinar?**
– Acho que surgiu uma espécie de distância entre mim e o hip-hop. Antigamente, eu era parte integrante da cultura hip-hop: seus princípios, ícones e valores faziam parte de mim.
No entanto, o hip-hop tradicional não pode ser levado ao palco do teatro. Por isso, tentamos observar e avaliar a cultura hip-hop de fora e tirar algumas conclusões, para vermos o quadro geral com todas as suas contradições e inconsistências. Acredito que, dessa forma, podemos descobrir novos aspectos estéticos no hip-hop.
As obras de Beltrão não podem ser descritas como filosofias sérias — elas também fazem o espectador sorrir. A descoberta de novas perspectivas ocorre frequentemente por meio da ironia.
A filosofia de Beltrão também inclui o questionamento contínuo de suas próprias descobertas — e talvez seja isso que torna seu trabalho interessante. Nunca se chega a um ponto final: se quisermos, podemos encontrar infinitas novas perspectivas. Ao mesmo tempo, a dança de rua evolui.

Fonte: Claire Diez, KunstenFESTIVALdesArts 2004

**Política da dança no Brasil**
Segundo Bruno Beltrão, o discurso eleitoral típico brasileiro apenas menciona a cultura na medida em que se diz que é possível investir nela quando os problemas mais urgentes (como a fome, o desemprego, a saúde e a violência) tiverem sido resolvidos.
Poucos políticos veem uma conexão entre a cultura e a ascensão social.
Uma exceção a isso é o projeto PRODANÇA, patrocinado pela cidade do Rio de Janeiro, no qual o Grupo de Rua de Niterói participou levando a dança de rua para os subúrbios pobres do Rio.

**Sistema de apoio à cultura — problemas e estruturas**
O sistema estatal de apoio à cultura do Brasil é financiado por impostos pagos pelas empresas. Uma característica especial do sistema é que a comissão que decide a quem são distribuídos os subsídios é composta principalmente por figuras importantes do mundo empresarial.
O resultado é um sistema de apoio à cultura gerido por “grandes nomes”, cuja compreensão da arte e vontade de apoiar a cultura não se estendem para além da corrente dominante ou das grandes cidades.

**A virada da década de 1990 — os artistas assumem o controle**
Graças a artistas de dança incansáveis — como a coreógrafa Lia Rodrigues e Bruno Beltrão — que se recusaram a continuar sendo vítimas da difícil situação política e assumiram um papel ativo na defesa de seu próprio trabalho, Rio de Janeiro viu uma série de reformas culturais estruturais na década de 1990.
Entre elas estavam:
* apoio à pesquisa em dança
* apoio a vários grupos diferentes
* criação de um centro coreográfico
* criação da revista Gesto
* criação do festival Panorama Rioarte de Dança
Beltrão e seu grupo querem continuar desenvolvendo esse campo de dança dinâmico e vibrante.

URB – FESTIVAL URBANO . URBAN FESTIVAL
2005 | KIASMA, HELSINKI, FINLÂNDIA

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