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Balança e dança

Dança carioca encontra em festivais e mostras terreno sólido para a sua produção em 2003

Roberto Pereira, Ana Cecilia Martins

Olhar sobre 2003

Refletir sobre o que o ano de 2003 representou para a dança e reconhecer que, embora persistam grandes problemas na área em todo o país, como a falta de uma política de âmbito federal, a produção compensou esse caráter negativo com uma qualidade que nasce como força de resistência. No Rio de Janeiro, cidade em que a dança encontra um campo fértil, não foi diferente. E, apesar de todos os persistentes percalços, como a falta de pauta em teatros e o adiamento da abertura do Centro Coreográfico, na Tijuca, a dança carioca foi criando seus anticorpos e fez deles sua marca.

O primeiro anticorpo, talvez o mais forte e resistente, é o dos festivais. O Rio agrega alguns dos mais importantes eventos de dança do país, e talvez por isso a cidade tenha hoje um perfil tão peculiar que a distingue de qualquer outra capital brasileira.

O Solos de Dança no Sesc, em sua quarta edição, abriu o ano confirmando seu lugar ímpar na cena carioca, com curadoria de Beatriz Radunsky e consultoria da coreógrafa Márcia Rubin. O encontro, em vez de se fechar, vem experimentando, desde a primeira edição, novas configurações e, neste ano, propondo diálogos inéditos entre bailarinos e coreógrafos, abrigou trabalhos instigantes, como as parcerias entre o excelente bailarino André Vidal e o ator.diretor Matheus Nachtergaele, e entre a bailarina Soraya Bastos e a coreógrafa Ana Vitória.

Outro festival de ressonância, o Dança Brasil comemorou sete anos de atividade provando que, embora seja, inacreditavelmente, o único evento de dança do Centro Cultural do Brasil—e mesmo assim ainda não conta com o teatro maior—se apresenta hoje como um dos mais importantes encontros de dança brasileiros. Com curadoria de Leonel Brum e Silvia Soter, esse evento vem gerando, sob linhas temáticas, olhares sempre renovados sobre a dança contemporânea. Neste ano, a relação música.movimento foi eleita, dando frutos de qualidade como o trabalho de Márcia Rubin (*Tempo de valsa, moderado com elegância*), que aponta novas possibilidades coreográficas em sua carreira, e o do furacão jovem chamado Bruno Beltrão, que faz dialogar a dança de rua e a contemporânea. Bruno Beltrão, com seu inteligente *Telesquat*, foi, com certeza, um dos grandes momentos de 2003.

O terceiro importante festival de dança carioca é o veterano Panorama RioArte de Dança, que alcançou algo bastante significativo no cenário brasileiro: sua décima segunda edição. Com direção artística de Lia Rodrigues, o evento funciona como espécie de mapa da dança contemporânea carioca ou, até mesmo, de árvore genealógica. Em 2003, sua marca foi mostrar a consolidação de propostas. Trabalhos desenvolvidos em residências em 2002 foram apresentados neste ano, mostrando o papel fundamental do festival como motor de pesquisa de dança na cidade. Nesse sentido, os trabalhos de Frederico Paredes e Denise Stutz são ótimos exemplos de processos cuja ignição foi o próprio Panorama.

Contando com outros projetos, como a quarta edição dos Novíssimos, mostra de pesquisa de jovens coreógrafos, curadores e, agora também, críticos, o Panorama de Dança também continua a ser a única possibilidade de apresentar importantes companhias estrangeiras a preços realmente acessíveis. Neste ano, tão parco de atrações internacionais, poder ver a mais recente criação da coreógrafa francesa Maguy Marin (*Les applaudissements ne se mangent pas*) representou uma rara oportunidade.

Outras mostras se agregam a este cenário de resistência: o Projeto Dança em Foco, uma das atividades do produtivo Espaço Sesc, que investiga aproximações entre vídeo e dança, assinado por Paulo Caldas e Leonel Brum ; o Dança em Trânsito, da Secretaria das Culturas, que investiga a relação entre dança e paisagens urbanas , o Projeto Raio X, da UniverCidade, que revelou o processo criativo de oito importantes companhias cariocas, em ensaios abertos , e o 4º Circuito Carioca, que, embora tenha a boa intenção de ser uma paleta da vasta produção de dança da cidade, em seus mais diversos estilos, ainda sofre por não contar com uma curadoria mais cuidadosa, que se preocupe também com a formação de platéias.

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