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Bruno Beltrão sacode o hip-hop e a televisão
"Colocando o hip-hop em crise!" O coreógrafo brasileiro diz e faz.
Rosita Boisseau
Paris – "Colocar o hip-hop em crise!" Bruno Beltrão diz e faz. Em uma passagem pelo Théâtre de la Bastille antes de embarcar em uma turnê francesa com sua nova peça, Telesquat, o coreógrafo brasileiro – um jovem vibrante de 25 anos com um sucesso estrondoso – está explodindo os códigos do hip-hop com tanta audácia quanto ironia. A fusão está causando estragos nos rígidos circuitos da dança.
A força de Beltrão reside em atacar o hip-hop em seu próprio terreno, um território que ele explora extensivamente desde a adolescência, tendo nascido em Niterói, um subúrbio do Rio. Isso significa que, com os dançarinos de sua companhia, o Grupo de Rua de Niterói, todos dotados de uma graça crua e endurecidos pela escola da vida, ele sabe como atingir onde dói: os clichês da masculinidade, da virilidade pela virilidade e de uma certa gratuidade na mensagem.
Já no duo From Popping to Pop or Vice Versa, apresentado no Rencontres Chorégraphiques de Seine-Saint-Denis em 2002, e depois na peça de grupo Too Legit to Quit, programada para o Rencontres Urbaines de La Villette (Le Monde, 4 de novembro de 2004), o coreógrafo interrompeu o fluxo ordinário de uma performance de hip-hop, pontuando a dança com grandes blocos de imobilidade e silêncio. Não contente em fragmentar as sequências, ele as esvaziou, reduzindo-as a meras ilustrações do repertório gestual do hip-hop.
Como Bruno Beltrão, também um entusiasta da filosofia, escaparia da crescente aridez da dança, reduzida ao essencial e achatada pelo escárnio? O suspense surge quando quatro dançarinos iniciam a primeira sequência de Telesquat permanecendo lado a lado em total imobilidade. A sensação de déjà vu imediatamente dissipa a tensão: esse confronto direto com o público tornou-se um elemento básico de espetáculos críticos da representação. Felizmente, o espetáculo rapidamente ganha ritmo, culminando em uma explosão delirante onde hip-hop, política e convenções televisivas colidem em esquetes repletos de humor absurdo.
É difícil manter uma linha narrativa coerente nessa confusão de gestos, entradas e saídas, e personagens improváveis como o astronauta e o pinguim, saídos diretamente do universo do hip-hop. Fragmentos de texto colidem em todas as direções: na tela, na trilha sonora e também através de um apresentador que comenta a ação em português. Nos anos 1950, "Telesquat", aprendemos no programa, era o nome dado pelos médicos à suposta doença dos viciados em televisão. Em resumo: um risco iminente de morte por asfixia sob as camadas de informação com que somos bombardeados, a menos que morramos de pura estupidez primeiro. Em suma: Telesquat nos oferece uma vacina.
Em contraste, o solo Me and My Choreographer, interpretado por Eduardo Hermanson, cujas confissões também compõem a trilha sonora, brilha como um diamante negro. O bailarino disseca movimentos de hip-hop, extraindo uma linguagem gestual eruptiva e intimamente selvagem. Seu corpo é uma prisão de virtuosismo da qual ele tenta escapar. Sua luta é magnificamente comovente.
Bruno Beltrão no Théâtre de la Bastille, 76 rue de la Roquette, 11º arrondissement de Paris. Até 24 de abril, às 21h. Ingressos de € 12,50 a € 19. Tel.: +33 1 43 57 42 14. Em turnê até 24 de maio. 26 de abril no Théâtre Duchamp-Villon, Rouen (Seine-Maritime). Tel: +33 2 32 18 28 28. 30 de abril no Théâtre de l'Olivier, Istres (Bouches-du-Rhône). Tel.: 04-42-56-48-48.


