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Do hip hop a Heidegger

Prodígio brasileiro avalia o “ser na dança” para o nosso tempo

Rory Winston

`Sabe como é: tudo fica sério quando aquilo que não é “midiático” vira fenômeno. Sim, às vezes coisas realmente boas acabam se tornando bem-sucedidas. E não, felizmente não teremos nenhum pregador de rua neste fim de semana… apenas alguns jovens artistas extremamente perceptivos, que pegaram temas urbanos da moda e — ao reinvesti-los com observação sociopolítica e relevância filosófica — os ressuscitaram em obras coesas. 


Ao contrário dos clones que eternizaram o filme *Os Meninos do Brasil*, e ao contrário dos movimentos padronizados associados à fase de treinamento do hip hop, Bruno Beltrão e seus jovens visitantes do Brasil (Grupo de Rua de Niterói) conseguiram usar a dança de rua como uma linguagem para examinar, desconstruir e recriar artisticamente nossas inquietações mais profundas. 


Como criança prodígio do hip hop nos subúrbios do Rio, Beltrão (agora com 25 anos) não apenas iniciou estudos de filosofia na universidade, mas também perseguiu uma direção coreográfica que sintetiza gestos do street dance com elementos do teatro, formando uma unidade fenomenológica capaz de decifrar a interação autenticamente interna do ser humano com o mundo. Ele coloca lado a lado a suavidade das moralidades colonizadas que carregamos com as disparidades frenéticas que nossos sonhos escondem. 


Continuidade poética 


Com movimentos bruscos e repentinos que lembram companhias como La La Human Steps, e desvios líricos tão efêmeros que deixariam Merce Cunningham orgulhoso, fica claro o quão estranho é que o ser humano busque continuidade poética e compreensão em meio ao caos digital esgarçado da tecnologia. Já em 1912, Vaslav Nijinsky incorporava tênis — e até masturbação — ao balé clássico. Talvez seja hora de alguém com aspirações intelectuais se permitir sujar as mãos… brincar, descer à rua e dançar sem pudor. **Sabe como é, nem sempre é preciso muita grana para produzir algo realmente de qualidade. Entretenimento inteligente está por aí. E às vezes, é até de graça.

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