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Entre o pulso do hip-hop e a dança contemporânea
Trabalho do premiado Bruno Beltrão e outras nove coreografias integram o plural e gratuito Panorama Sesi 2009
Luiz Felipe Reis
O_Globo
Grupo de Rua apresenta 'H3 hoje no Municipal e estreia 'Crackz na Bélgica
"H3". Espetáculo de 2008 encerra o festival O Boticário na Dança com solos, duos e trios inspirados em passos d e rua
Foram necessários dez anos de uma bem-sucedida carreira internacional até que o Brasil, enfim, pudesse servir de plataforma aos passos do coreógrafo fluminense Bruno Beltrão. Fundador do Grupo de Rua, que encerra hoje o Festival O Boticário na Dança com "H3", desde 2001 ele tem suas criações observadas atentamente não só pela crítica internacional, mas por investidores e programadores dos principais teatros e festivais de artes cênicas do mundo.
Reconhecido por criar movimentos que mesclam passos de rua, originados na cultura hip-hop, com a sofisticação da dança contemporânea, Beltrão arruma as malas após a noite de hoje para uma longa turnê europeia. No próximo dia 17, ele faz a estreia mundial de seu novo espetáculo, "Crackz", no Kunsten Festival des Arts, na Bélgica, onde se apresentou pela primeira vez em 2004, com três montagens, entre elas
"Eu e meu coreógrafo no 63". - Após levarmos "Eu e meu coreógrafo no 63" ao Panorama de Dança, em 2001, fomos ao Springdance (na Holanda) e, de festival em festival, a rede aumentou.
O convite para um já é um atestado de confiança para outros - diz Beltrão. PATROCÍNIO BRASILEIRO EM 2011
Desde "H2", criada em 2005, coproduções internacionais e convites para apresentações no circuito europeu se transformaram na base do grupo. Existimos até aqui graças a este circuito e à política cultural europeia. Noventa por cento das nossas apresentações são fora - diz. Das 169 performances de
"H3" desde 2008, 108 foram na Europa e 32 nos EUA, contra 14 sessões no Brasil. "H2" e "H3" foram integralmente financia-das com dinheiro estrangeiro.
"Crackz" está sendo viabilizada por nove patrocinadores - pela primeira vez por uma instituição brasileira, a Petrobras, que desde 2011 apoia o grupo, e uma americana, a Wexner Center for the Arts. - Isso nunca tinha aconteci-do. É o nosso melhor momento. Fizemos o caminho inverso, e só hoje estamos nos consolidando aqui. Passaram-se 15 anos até que alguém no Brasil decidisse investir no grupo
- diz. A confiança das instituições europeias se mostra ainda mais forte em 2013, pela agenda que o grupo irá cumprir a partir de Kunsten.
Até o fim do ano, o Grupo de Rua participa de festivais importantes como o Wiener Festwochen, na Áus-tria, o VIE Festival de Modena, na Itália, o Holland Festival, a Trienal do Ruhr, na Alemanha, e o Festival d'Automne, em Pa-ris, onde se apresentam no badalado Théâtre de la Ville. Diretor artístico do Kunsten, Christophe Slagmuyider apoiou as duas últimas criações do grupo e agora se orgulha de apresentar "Crackz" ao mun-do, ao lado de espetáculos de Anne-Teresa de Keersmacker e Boris Charmatz.
— Bruno é um dos maiores artistas da dança do nosso tempo, porque consegue, como ninguém, construir uma ponte entre movimentos de cultura popular e os mais sofisticados e complexos feitos da dança contemporanea.


