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Hip Hop de Niterói para o mundo
Grupo de Bruno Beltrão volta às origens em espetáculo com 16 bailarinos co-produzido por festivais europeus
Adriana Pavlova
Grupo de Bruno Beltrão volta às origens em espetáculo com 16 bailarinos co-produzido por festivais europeus
A sala escondida no quarto andar sem escadas - de uma das rodoviárias de Niterói cheira a suor. Lá dentro, muita testosterona junta. Dezesseis garotões de 16 a 30 anos, com um visual meio grunge, meio dança de rua, movimentam-se alucinadamente, criando e re-criando passos que podem até
parecer coisa de hip hop mas são muito mais do que isso. De frente para o computador, o coreógrafo também com cara de garotão reinventa um tipo
de dança que até outro dia parecia coisa do seu passado. Bruno Beltrão e o seu Grupo de Rua de Niterói voltaram às suas origens enquanto olham para o futuro. O jovem coreógrafo hoje com 25 anos que desde 2003 vem enfeitiçando os curadores europeus tem tudo para emplacar mais uma temporada de acertos naquelas partes do planeta. Na sede provisória de sua companhia, agora supervitaminada, Beltrão revê os passos de hip hop que o levaram à dança ainda menino, nas ruas de Niteról, para construir um espetáculo encomendado e bancado por cinco festivais de dança e por um teatro da Europa.
Companhia vai se apresentar no Georges Pompidou
H2-2005 tem estréia no dia 16 de abril, escalado para abrir o festival holandēs Springdance, talvez o evento mais de vanguarda de dança em toda a Europa. Depois, passa por Alemanha, Bélgica (Kunsten Festival), Austria, Itália, Suíça e França, com direito até a cinco apresentações durante o Festival de Outono de Paris no Centro Georges Pompidou. Um desafio que tem tirado o sono do multimídia Beltrão mas que tem dado muito material para a
sua criatividade surpreendente. A começar pela audácia de trabalhar com mais de uma dezena de ballarinos-homens.
-Nessa peça passamos cada vez mais a valorizar e canalizar o poder do gesto do hip hop, sua energia e força física particular. Em nosso primeiro trabalho como companhia, negávamos isso completamente. Cada vez mais me convenço que a potência inerente do hip hop deva ser canalizada de modo a produzir uma dança atual e contaminada pelo mundo de hoje - explica Beltrão, cuja companhia original, com cinco bailarinos, faz, no segundo semestre, uma grande estirada pela França, onde se apresenta em 18 cidades com o repertório do grupo, ou seja, os quatro trabalhos criados pelo coreógrafo desde 2001.
Enquanto o glamour europeu está distante, na sala quase destruída que antes era usada pelo Balé de Niterói o trabalho é pesado. Beltrão fez audições em cinco cidades em meados no ano passado (Rio, Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e Belém) à cata dos melhores bailarinos de hip hop do país. Juntou 16 que agora dão expediente diário na sala de ensaios e, como nas grandes companhias, têm direito a um salário e, para quem mora em outro estado, até a uma casa para morar. Uma infra-estrutura rara que tem facilitado a criação e a reflexão. Bailarino que nunca pensou em pensar sobre a dança tem feito isso sem sofrer.
- Nos outros grupos, aprendia o passo, ensaiava à beça, fazia igual e repetia até ficar perfeito. Aqui, o mais legal é que cada bailarino tem a chance de potencializar o que sabe - diz Bernardo Stumpf, de 21 anos, que começou a dançar num grupo amador em 2000 e hoje é um dos mais ligados da nova trupe de Niterói, na qual tem estudado a relação espacial de coreógrafos como Forsythe e Cunningham. -Tem muita gente por aí que diz que o Bruno está prostituindo a dança de rua e também tem muita gente curiosa. Eu sabia que era diferente de tudo mas não sabia que seria tão desafiante.
Beltrão quer criar um software coreográfico
Beltrão deu marcha a ré para a surpresa de quem achava que ele caminharia mais pela dança contemporânea, depois de quatro trabalhos com as ligações possíveis entre a dança de rua e a contemporaneidade coreográfica. O primeiro, "Do popping ao pop", era uma tentativa de traduzir o léxico do hip hop. A partir daí, o coreógrafo usou a dança de rua como algo vivo, com subjetividades sociais e políticas, mais do que técnica. Nasceram en- tão "Eu e meu coreógrafo no 63", "Too legit to quit" e "Telesquat", uma mistura multi- mídia Inflamável, cheia de conceito e que só poderia ter saído da cabeça de alguém que respirou videogames e assistiu muito à MTV. Não é à toa que Beltrão tem um ambicioso projeto de criar um software de processo coreográfic
Legenda; OS BAILARINOS ENSAIAM o novo trabalho do Grupo de Rua de Niterói, "H2 - 2005", sob o comando do coreógrafo Bruno Beltrão (acima)


