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Hip Hop numa coreografia fascinante
Felizitas Ammann
Theater Spektakel
Seus estudos sobre o hip-hop — delicados e rigorosos — também encantam no Theater Spektakel.
É possível ouvir o barulho da rua. Alguns garotos estão agachados no chão. Repetidamente, um deles salta, faz alguns movimentos e depois afunda novamente. Os outros observam. Um deles apenas move a cabeça — insanamente rápido, em gestos cada vez mais surpreendentes. Dois começam uma briga e, de repente, dançam em sincronia. Outro deixa que tiques nervosos percorram seu corpo.
H3, de Bruno Beltrão, é uma peça de dança abstrata e contemporânea construída a partir dos movimentos da dança de rua. Experimentar a dança de rua dentro da cultura hip-hop parece algo óbvio — mas não é.
Isso já fica claro na cena de abertura, que faz referência às raízes de Beltrão no hip-hop e, ao mesmo tempo, revela o quanto ele se distanciou delas.
Beltrão não poderia se importar menos com as acusações de que estaria diluindo a tradição, porque sua experimentação rapidamente despertou grande interesse no mundo da dança.
Longe das ruas
Criado próximo ao Rio de Janeiro, Bruno Beltrão fez seu nome no cenário do hip-hop ainda na adolescência.
Mas, aos 19 anos, percebeu que estava mais interessado no movimento do que nas armadilhas da cena.
Rompeu, então, com conceitos como “credibilidade” e “autenticidade”, concluiu um curso de dança e começou a experimentar novas possibilidades com os movimentos do hip-hop.
Isso não foi bem recebido pela comunidade. Hoje, porém, o jovem de 29 anos é considerado um dos talentos coreográficos mais promissores. Apresenta-se em festivais ao redor do mundo e inspira um público cada vez maior — o que é quase surpreendente quando se vê H3 in the Shipyard.
A peça parece frágil à primeira vista. O palco permanece vazio; a dança é abstrata. Em vez de pop monótono, há ruídos, silêncio ou eletrônicos repetitivos. Os nove jovens dançarinos trabalham na penumbra ou sob a luz fria de tubos de néon. Tudo isso faz com que o olhar se concentre não apenas no movimento, mas também na força e no virtuosismo dos corpos.
Coreograficamente, a peça ainda parece imatura. Muitos duetos bastante semelhantes se encadeiam, e falta um grande arco de composição. Mas, no meio disso, surgem imagens fascinantes: momentos silenciosos com movimentos mínimos, ou cenas de grupo que ocupam todo o espaço.
É verdade que há muitos dançarinos em companhias contemporâneas com experiência na cultura hip-hop.
Mas, ao dividir os movimentos em unidades mínimas, Bruno Beltrão cria um novo vocabulário, que ele combina repetidamente de maneiras novas e surpreendentes. Isso confere aos gestos potentes da dança de rua uma forma inédita.
Hoje, sexta, e amanhã, sábado, às 19h30. Werft.


