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Estreia europeia de Telesquat, de Bruno Beltrão, no festival Klapstuk 11

Klapstuk #11

**Estreia europeia de Telesquat, de Bruno Beltrão, no festival Klapstuk 11**

O sucesso do hip hop — isso já sabemos — ultrapassou há muito tempo os limites da cultura de rua e parece ter se instalado definitivamente no mundo contemporâneo da dança. Não é de se estranhar, portanto, que a apresentação mais comentada da última edição do Festival Internacional de Dança de Lyon, em agosto passado, tenha vindo justamente do grupo brasileiro de Niterói: uma mistura eletrizante de *show*, humor e multimídia. A estreia europeia da nova coreografia de Bruno Beltrão confirma sua habilidade de virar expectativas pelo avesso.

Em *Telesquat*, Beltrão constrói — quase como um “trabalho de laboratório” — um jogo inteligente de deslocamentos. Ele se apropria da cadeia de domínio do breakdance e da estética do *club* underground, usando sua coreografia como alavanca. Beltrão brinca com a possibilidade de fazer surgir um excesso de significados, onde movimento e texto se entrelaçam e se contradizem. Essa estratégia faz com que o público seja forçado a duvidar — como se, repentinamente, percebesse que aquilo que vê não corresponde ao que pensa ter visto.

No círculo psíquico dos *breakdancers*, Beltrão vira tudo de cabeça para baixo. Ele desmantela o vocabulário próprio do estilo e redefine sua identidade específica — quase como se exibisse o mecanismo interno de um corpo dançante prestes a se reinventar.

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