
Add a Title
Add paragraph text. Click “Edit Text” to update the font, size and more. To change and reuse text themes, go to Site Styles.
Add a Title
Add a Title
Os brasileiros breikam melhor
Da periferia do Rio de Janeiro veio a grande descoberta do festival URB 05
Auli Räsänen
O Brasil é hoje um país extremamente estimulante para a dança — foi isso que percebi na Bienal de Dança de Lyon em 2002, um grande panorama da dança latino-americana. Entre todos os países, o Brasil se destacou com força: há muitos grupos, e a variedade é impressionante.
Por que os brasileiros jogam futebol tão bem? Ora, eles também dançam bem — ambos exigem pernas ágeis e explosão física.
O Brasil é um país de música e dança
Desde os tempos da escravidão, africanos trazidos como cativos reconstruíram sua identidade através do movimento, de formas plásticas e dançadas. Quando a capoeira se aproxima do breakdance, não é difícil entender por que a dança floresce tanto no Brasil.
Entre os criadores, Bruno Beltrão é um dos mais experimentais — e provavelmente o mais aguardado entre os artistas desse país de gente tão forte fisicamente.
O júri do URB 05 já estava de olho nos brasileiros desde a fundação do festival. Do bairro de Niterói, no Rio de Janeiro, foi convidado um grupo de quinze pessoas para se apresentar — todos com expressão séria no rosto, mas um brilho maroto nos olhos.
Eles ofereceram ao público um curso relâmpago de breakdance no palco do Kiasma, exibindo placas com os termos popping, locking, top rock e assim por diante, demonstrando passos e movimentos básicos diante das placas.
O grupo é muito democrático. Não no sentido de colocar todos no palco o tempo todo (aleluia!), mas no sentido verdadeiro: quem dança melhor aparece mais.
A segunda apresentação foi o dueto de Eduardo Reis e Eduardo Hermanson, e o solo foi interpretado pelo último — o extraordinário Eduardo “Willow” Hermanson. “Willow”, ou “Salgueiro”, é seu nome artístico no break.
Talvez seu nome descreva bem sua personalidade: flexível como um salgueiro, mas forte o suficiente para não quebrar.
Os dois Eduardos criaram uma fusão de dança contemporânea com break que rompe estereótipos, trazendo imagens de duelos de artes marciais, em que lutadores travam batalhas dentro de suas próprias mentes.
Ambos dançam juntos com enorme intensidade, mesmo sem se tocarem. A conexão entre eles é tão forte que os elementos se fundem completamente.
A aproximação entre eles
leva tempo — e, quando finalmente acontece, os dois permanecem tão intensos e presentes quanto antes. A solução cênica lembra música com influência asiática (“asian vibes”).
O solo de Beltrão para Willow é um deslumbrante estudo do corpo humano como receptor de estímulos mínimos. O corpo do dançarino parece cheio de terminações nervosas que reagem às menores sensações.
Cada espectador recebeu um fone de ouvido para ouvir o monólogo do intérprete — em um inglês quase ininteligível. Abandonei a fala rapidamente, pois ela só atrapalhava a concentração no movimento e não acrescentava nada à dança.
Na obra, o movimento tem mais importância do que a fala do dançarino. O trabalho funciona melhor sem música e sem texto — o intérprete precisa estar totalmente preenchido por seu conteúdo interno.
Em “Willow”, tanto a mínima movimentação quanto a explosão física são igualmente interessantes. Às vezes suave, às vezes violento. Às vezes seguro, às vezes vulnerável. Como se o corpo falasse por si.


