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Os padrões mutaveis da dança de rua
O grupo brasileiro Grupo de Rua de Niterói mostrou que uma apresentação de break pode ser tanto artística quanto tecnicamente de altíssimo nível.
Annikki Alku
**Os padrões mutantes da dança de rua**
O grupo brasileiro **Grupo de Rua de Niterói** mostrou que uma apresentação de break pode ser tanto artística quanto tecnicamente de altíssimo nível.
Ontem terminou em Helsinque o festival urbano **URB05**, que nas suas duas últimas apresentações de dança demonstrou, de forma bastante interessante, certos processos que deslocam a trajetória de um estilo marginal para um campo artístico mais reconhecido. É o fenômeno que ocorre no breakdance agora em sua melhor forma.
Trata-se daquele movimento que nasce de andar com os amigos, competir entre si e formar estilos — que agora começa a entrar no repertório de festivais estabelecidos. No festival, isso pôde ser visto nos shows jovens, mais improvisados, que aconteceram em toda Helsinque no início de julho, e depois em criações mais amplas e maduras apresentadas no Kiasma.
As apresentações finlandesas de ontem, por exemplo, eram ao mesmo tempo lacônicas e humorísticas, e também cheias de energia explosiva. Ainda assim, dentro do URB 05, circularam trabalhos extremamente profissionais.
Os três grupos estrangeiros convidados representaram claramente o auge do festival. E foi graças a eles que ficou evidente como a dança de rua pode atingir um nível quase profissional — ainda que com suas peculiaridades.
**Absurdismo à la Beckett**
O trio finlandês **8&cuk**, de Jyväskylä, mostrou três peças cheias de energia e composição clara. Cada dançarino parecia ter algo próprio a dizer, mas isso também criava certa dificuldade: suas apresentações eram muito cheias de detalhes, quase uma sobrecarga. O resultado final, porém, funcionou.
O quarto grupo finlandês, **Rancid Rockers**, apresentou *Once Upon a Time at the Bus Stop*, um “dia no ponto de ônibus”, onde pequenos gestos cotidianos se transformavam em arquitetura corporal.
As coreografias de **Heidi Sade e Exhale** criaram pequenos monólogos minimalistas — quase beckettianos — construídos a partir de movimentos minúsculos, crescendo lentamente. A peça inteira se sustentou surpreendentemente bem.
**Os brasileiros arrasaram**
As apresentações do URB05 culminaram no fim de semana no Kiasma com o grupo brasileiro **Grupo de Rua de Niterói**, que não decepcionou: provaram que um espetáculo de breakdance pode ser artístico, múltiplo e tecnicamente excepcional. O grupo domina realmente o que faz. Além do conhecimento profundo das técnicas do hip hop — “popping, locking, top rock, breaking” e assim por diante — eles também dominam outros estilos.
Isso ficou especialmente claro nas coreografias de **Bruno Beltrão**, como *Too Legit to Quit*, em que o coreógrafo usou elementos do streetdance e os levou para outro patamar, além do mero treinamento técnico. A curiosidade de Beltrão pelos fundamentos do movimento o levou a criar formas totalmente novas de construir dança e movimentos. Beltrão, 25 anos, virou o break de cabeça para baixo ao inverter seus princípios: em vez de seguir as convenções do estilo, ele procurou quebrá-las — e assim encontrou maneiras inovadoras de fazer as coisas.
No final da noite, **Willow**, com *Me and My Choreographer in 63*, nos deu acesso íntimo ao interior de seu corpo. Um espetáculo em que o público observava, quase em silêncio, os sentimentos por trás dos movimentos — como se estivéssemos espiando algo secreto. Willow alternava perfeitamente entre dançar e falar, e isso funcionava na dramaturgia.
**Conclusão**
O Grupo de Rua de Niterói mostrou claramente que um espetáculo de breakdance pode, em seu melhor estado, ser sofisticado, de alta qualidade e intelectualmente estimulante. É difícil colocar isso em palavras, mas depois dessa apresentação, se alguém ainda duvidar disso, estou disposto a provar muitas vezes.
**Katutanssin muuttuvat kuviot**
**Brasiliainen Grupo de Rua de Niterói osoitti, että break-esitys voi olla sekä taiteellinen että taidollisesti huipputasoa.**


