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Pura ideia

Bruno Beltrão conta um segredo na sala em que ensaia seu novo trabalho. O coreógrafo, apontado como uma das grandes revelações da dança contemporânea, é sedentário. Isso mesmo. Diz que está com dores nas costas, é o peso de carregar o seu computador na mochila. Isso por causa de seu processo criativo, raro. Improvisa com os dançarinos, registra tudo em vídeo, recorta, cola, pensa, discute. Ele é um editor de movimentos. Faz todo sentido porque, quando criança, seu maior desejo era trabalhar com cinema. E eis que surgem espetáculos que fazem com que o mundo queira saber mais sobre o menino que começou dançando hip-hop em matinê de boate. E que, depois, descobriu a rua. E, em seguida, a dança contemporânea. Misturou tudo. O resultado não pode ser descrito em palavras. Felizmente.

Câmera na mão

Meu primeiro envolvimento com arte não começou com a dança. O meu desejo era fazer cinema. Muito antes de dançar, já estava com uma câmera tosquinha tentando filmar e fazendo roteiro. Gostava da idéia de ser diretor e de não estar em cena atuando. Queria estar por trás, organizando.

Limites, julgamentos e cração

Assim que criamos o grupo, começamos a participar de competições de
dança. Era estranho: o lugar em que você se apresentava era o mesmo lugar em que você estava sendo julgado. Geralmente, os parâmetros que norteiam o julgamento são simplistas demais e isso embota a criação. Por um lado, potencializa porque te dá um limite. Por outro, é algo que diz para você que fazer arte tem que ser de certa forma, ter certa velocidade... Cria categorizações parcas para olharmos a dança. Isso já me incomodava na época. Eu estava ali para aprender a coreografar, precisava do feedback dos jurados, mas os festivais competitivos, geralmente, existem para fazer dinheiro e não para gerar conhecimento.

Street-Dance

Hoje, a complexidade do vocabulário das danças de rua é admirável. Ver dois
grupos numa batalha é presenciar um modo impressionante da adaptação do corpo humano.

Atritos

Odeio certos tipos de desafios, mas sei que são neles que a gente cresce.

Academia

Na faculdade de dança, me envolvi com os valores da dança contemporânea,
filosofia e com uma dança voltada para a geração de conhecimento. Descobri que, para
fazer dança, não precisava dançar. Nessa época, comecei a olhar para o hip-hop com certo preconceito. O hip-hop está mais próximo da dança contemporânea do que
Imaginamos.

Como nasce um espetáculo

É um trabalho em grupo. Proponho jogos, dinâmicas, movimentos. Um dançarino mostra uma frase, a gente analisa e escolhe. Isso é baseado em quê? Tem horas em que não há explicação para a escolha, só intuição. As vezes, falo que algo pode ser bacana e o grupo diz que não. Em outras, eles aceitam. Geralmente continuamos quando todo mundo está se sentindo bem. Assim caminhamos. Tem um dançarino que, desde o início, nos ensina que quem faz hip hop, antes de tudo, faz dança.

Problemas não resolvidos

Acontece de, no final de um espetáculo, o resultado não me agradar. De
algumas partes eu gosto, mas posso achar o espetáculo problemático. É um processo inacabado, sempre. Questões inacabadas de meus espetáculos passados continuam sendo pensadas em novos trabalhos. Ao criar, tenho a sensação de que 95% é problema. É bom que seja assim. Se eu estivesse feliz demais já estaria parado bebendo água de coco.

Bruno Beltrão é coreógrafo e nasceu em Niterói. Em 1996, criou, com Rodrigo Bernardi, o Grupo de Rua - GR. Dentre os espetáculos do grupo estão "Too Legit to Quit" (2002), "Telesquat" (2003) e "H2-2005" (2005). Seu último espetáculo foi "H3" (2008). E autor do ensaio "Breakdance: Fissão e a Reação em cadeia". Em 2005, foi eleito coreógrafo revelação do ano pela publicação Balletanz Yearbook.

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