top of page
preto.png

Add a Title

Add paragraph text. Click “Edit Text” to update the font, size and more. To change and reuse text themes, go to Site Styles.

Add a Title

Add a Title

ant
Logomarca - GRUPODERUA
prox

Um retorno ao hip hop - com motivo

SONJA TESINSKI

Conversa: A apresentação de Bruna Beltrão abre o 19º Eurokaz:

O jovem dançarino e coreógrafo Bruno Beltrão, natural do município de Niterói, no Rio de Janeiro, conquistou muitos palcos brasileiros e europeus com suas apresentações e se apresentará ao público croata na abertura do Eurokaz deste ano, no Teatro Gavella, nos dias 22 e 23 de junho.

Aos treze anos, começou a dançar hip-hop, fundou uma escola de dança, aprendeu a técnica do breakdance e construiu uma carreira invejável na indústria do entretenimento.

Mas para Beltrão, isso não era suficiente: ele também queria expressar suas preocupações íntimas através da dança. Em 2000, matriculou-se em uma academia de dança, onde aprendeu os fundamentos da arte da dança e percebeu que a dança podia ser abordada de diferentes maneiras.

Hoje, ele é um convidado regular em muitos festivais, e os críticos o chamam de “prodígio coreográfico”.

**Em que momento você se tornou reconhecido como artista de dança fora dos limites do hip-hop?**

– Por estar envolvido com o hip-hop há bastante tempo, sentia que estávamos fazendo algo virtuoso, mas sabia que não tínhamos alcançado um nível mais elevado, teatral, em nossa dança. No Brasil, e provavelmente em todos os lugares, existe a visão de que a técnica do hip-hop é bonita, que é tudo muito legal, mas ao mesmo tempo é deixada de lado como uma forma de arte inferior.

Tudo isso me levou a fazer algo mais, algo diferente. Em 2001, no espetáculo “From Popping to Pop or Vice Versa”, criamos uma fusão de dança contemporânea e hip-hop, na qual rejeitamos tudo que vinha da música pop.

Naquele dueto, fizemos uso extensivo do silêncio, movimentos repetidos e usamos apenas frases curtas. A cena da dança contemporânea no Rio de Janeiro reagiu de forma muito positiva a esse espetáculo, enquanto a comunidade da dança de rua foi altamente crítica, acusando-nos de usar elementos que não fazem parte do hip-hop. Desde então, tenho tentado distanciar-me o mais possível da linguagem do hip-hop.

Mas ele não desapareceu do seu trabalho. No espetáculo “Telesquat”, que você está apresentando em Zagreb, também há muitos elementos do hip-hop.

– A produção de Jérôme Bell, “Show Must Go On”, foi muito importante para mim; ela aborda a cultura pop de uma forma muito sutil. Bell emprega uma composição rica que é ao mesmo tempo leve e simples. Foi então que percebi que não precisava abandonar completamente o hip-hop para fazer algo diferente e comecei a usá-lo novamente.

No espetáculo “Telesquat”, expressamos nosso desejo de longa data de falar sobre televisão através do teatro, para explorar nossas próprias questões sobre o assunto. Sempre fui fascinado pela forma como a televisão funciona, como as pessoas lidam com todas as informações que vêm dela e como a televisão hoje influencia nossa atitude em relação ao teatro ou a qualquer outro meio de comunicação.

O espetáculo levanta a questão do que o público acredita, o que essas informações significam, o que é verdade e o que não é.

**Quão difícil é para um jovem dançarino ou coreógrafo se destacar no Brasil?**

– Muitos jovens lá dançam na rua e há muitos grupos de dança criando trabalhos. É fácil notar o trabalho deles, pois atualmente existem mais de 300 festivais de dança competitivos no Brasil.

Há muito debate sobre o número de festivais e sua qualidade. Eles são abertos aos jovens, mas grande parte deles existe apenas por existir. Se você quiser, pode ir ao Brasil e organizar um festival agora mesmo — é barato e fácil.

Mas o problema também é que o público vai aos festivais como vai a um jogo de futebol: quer ver um espetáculo, então os coreógrafos sentem uma pressão cada vez maior para criar coreografias cada vez mais rápidas e atraentes.

**As declarações dos críticos que o chamam de “prodígio da coreografia” o pressionam?**

– Claro. Mas não por causa do que é escrito e dito, e sim porque nos festivais sentimos a pressão de apresentar algo bom. Este ano, abrimos dois festivais europeus muito importantes no mundo da dança contemporânea com nossa nova produção, “H2 2005”, incluindo o Springdance Festival, na Holanda.

Acredito que é muito importante, independentemente de tudo, continuarmos a fazer nossa própria arte. Não devemos nos deixar influenciar pelo que dizem sobre nós. Se nos deixarmos influenciar demais por isso, temo que nosso trabalho não seja tão bom.

Na performance “Telesquat”, expressamos nosso desejo de longa data de usar o teatro para falar sobre televisão, para nos envolvermos com nossas próprias questões sobre televisão.

preto.png
bottom of page