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Direção e concepção  Bruno Beltrão
Coreógrafos | Eduardo Hermanson e Rodrigo Bernardi 
Assistente de coreografia | Marta Nunes
Pesquisa de movimento e interpretação |  Eduardo Hermanson
Trilha sonora | Eduardo Hermanson e Bruno Beltrão
Iluminação | light design: Renato Machado
Apoios | support: Prefeitura de Niterói e SESC Niterói

Arte e fotografia | Thiago Hortala 
Agradecimentos especiais | João Marcos Beltrão e Norma Cássia Beltrão


 

Estamos eu e Willow almoçando num quarto de hotel em São Paulo, horas antes de uma apresentação num centro de convenções. Conversando bastante. Algumas questões vêm a minha cabeça, É possível saber quem ele é pela dança que faz? O que ele pensa coincide com o que ele dança? Onde?






Então, uma arte de dança aparentemente trivial como o hip-hop do brasileiro Bruno Beltrão é muito mais pungente. À primeira vista, o solo "Solo", dançado por Eduardo Hermanson, é mais uma demonstração arrogante da agilidade do bailarino. À medida que ele salta de plano de luz em plano de luz com os seus saltos erráticos e angulares, seguimos através de fones de ouvido um monólogo deste rapaz num quarto de hotel. A sua linguagem desajeitada, repleta de palavras de vedação, esconde sob muito machismo o pouco domínio que este rapaz tem sobre o que o rodeia em palavras. A dança, por outro lado, parece registar com nitidez o que se passa. No final, ela chega mesmo a representar pantomimicamente uma história obscena que lhe persegue a mente. A sua surpresa é tão grande quando ouve que as suas palavras se tornaram também a trilha sonora da sua dança.


 


Pieter T'JONCK

 

De Tijd • 21 May 2004 • Dutch

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