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Bruno Beltrão é um jovem artista brasileiro. Em seus trabalhos, ele brinca habilmente com as expectativas do público. Não está interessado em demonstrar um alcance acrobático perigoso, ele tenta redirecionar a dança de rua para a linguagem artística. Começou sua carreira como dançarino de hip-hop aos treze anos de idade em sua cidade natal, Niterói, um subúrbio do Rio de Janeiro. Aos dezesseis anos, fundou sua própria companhia e, aos vinte, voltou-se para a dança contemporânea. 

Montagem com quatro rostos em azul acima da Terra; um pinguim está ao centro e um veículo espacial surge à esquerda.
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Em Telesquat (2003), a peça parece empenhada em explicar a si mesma. Legendas identificam os gestos, um narrador comenta as ações e a música sugere o que sentir. Cada recurso promete facilitar o acesso, mas à medida que se acumulam, palavras, sons e imagens tornam incerto aquilo que pareciam esclarecer.

Os intérpretes assumem identidades provisórias: pinguins, astronautas, personagens de guerras imaginárias. As histórias se cruzam, os comentários se atropelam e o público é envolvido numa montagem que sobrecarrega sua capacidade de acompanhar o que acontece. Telesquat pretende investigar o poder da televisão de apresentar o mundo junto com as instruções para interpretá-lo. A sensação de estar informado torna-se, ela própria, parte da ficção.

GRUPO

CONCEPÇAO E DIREÇAO ARTISTICA

BRUNO BELTRAO​

ASSISTENTE DE DIREÇAO E ENSAIADORA

GABRIELA MONNERAT

ILUMINAÇÃO 

RENATO MACHADO​

BAILARINOS

EDUARDO HERMANSON
EDUARDO REIS

UGO ALEXANDRE

ALEXANDRE LIMA

GHEL NIKAIDO

A sensação do festival foi Telesquat. É verdade que utilizam o hiphop como linguagem de movimento, mas o hiphop é apenas o ponto de partida para uma formidável explosão de linguagem e imagens. Quatro homens alinham-se, imóveis, ou executam um simples gesto numa praça. As legendas descrevem o gesto, enquanto um comentador interpreta exatamente o que os homens estão a fazer. Parecem ter múltiplas identidades, demonstrando uma dança de pinguins ou indo para a guerra com extraterrestres. A fantasia, os códigos de dança altamente complexos e a linguagem falada e escrita fundem-se aqui num caos extremamente emaranhado. Por várias vezes ouvimos "Ele quer dizer alguma coisa": é precisamente este o problema, no meio desta superabundância de informação.

Quando os espectadores são questionados sobre a sua experiência, as leituras são simultaneamente pessoais e disparatadas. Desta forma, as simples fantasias sobre o hiphop como linguagem universal e compreensão global são minadas. Telesquat acaba por ser uma espécie de jogo de vídeo muito violento e beligerante, digamos no nível 10, em que as regras, os níveis de linguagem e as quantidades de informação ficam fora de controlo. Resta apenas o excesso e os homens que desejam esse excesso.

Jeroen Peeters

Festival international de dança Klapstuk 

De Morgen 

9 de outubro de 2003

Uma performance que ofereceu puro prazer visual de uma forma intrigante, mas que abordou abertamente questões conceituais, foi "Telesquat" do Grupo de Rua de Niterói do coreógrafo brasileiro Bruno Beltrão. A dança de Beltrão baseia-se na "dança de rua" mas, como demonstrou numa pequena mostra, pode utilizá-la para criar imagens coreográficas pungentes. O mesmo acontece em "Telesquat". A partir de uma simples apresentação dos quatro intérpretes, desenvolve-se uma ação à qual se acrescentam cada vez mais camadas de significado, sobretudo quando os quatro bailarinos estão simultaneamente presentes em ecrãs de vídeo e ao vivo. Aqui, Beltrão explora o impacto da cultura televisiva e dos jogos de vídeo na realidade psicológica dos jovens. No entanto, não o faz de forma alegórica ou pedante, mas numa forma que gradualmente se assemelha cada vez mais a uma festa em casa. A análise e a perceção entram aqui num curioso casamento. 

Pieter T'Jonck

Kunstenfestivaldesarts

De Morgen 

7 de maio de 2008 •

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