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A casa da dança carioca
Panorama RioArte começa hoje celebrando seus dez anos de sucesso
Daniela Name
O_Globo
É mais ou menos como aquele almoço de domingo em que a família inteira se reúne em volta de uma mesa enorme, saboreia uma macarronada, reve paqueras, se emociona longe, celebra as novas crias. Hoje, às 20h, no mesmo palco em que Willi Dorner e os primeiros passos do 10º edição do Panorama RioArte da Dança — do Teatro Carlos Gomes. À frente, a história do movimento que se transformou com o amadurecimento do festival, este inestimável patrimônio público de cultura já está em cartaz na rede de teatros do Rio numa programação bastante eclética. Criadores como Paulo Caldas, Dani Lima, Márcia Rubin, Marcia Milhazes e IkswalslnIats (formada por Gustavo Ciríaco e Paula Parra) participam da noite comemorativa pelos dez anos de história do Panorama. Todos eles sabem que não há outro espaço de formação tão longevidade quanto o evento idealizado por Lia Rodrigues e que, ao longo dos anos, trouxe ao Rio vários coreógrafos que estão hoje no auge de sua importância, como o austríaco Willi Dorner, presente na estreia de hoje.
A ideia é simples: na noite do Panorama, o comentário é livre — diz Daniela Mattos, crítica e curadora do festival — O que a história nos mostra sempre é que havia um conjunto de referências e de diferenças reunido aqui. E isso é bom. Agora, numa fase de profissionalização, cada um tem estilo muito próprio.
Na sessão de hoje, mostra “A paisagem daqui é outra”, às 18h, com Sérgio Porto. A ficção futurista usa vida pessoal com a história do tecladista.
— Não participei da primeira edição, em 1992, porque estava amamentando meu filho, Pedro, mas acompanho a formação do festival desde os primeiros anos. O espaço abriu para a coreografia por resistência da Lía. O Panorama ajudou a formar uma potência para a dança no Rio que ninguém montou até hoje uma estrutura do que nós tínhamos.
Do palco do Sérgio Porto para a Bienal de Lyon
Histórias como a de Dani fazem parte do livro “Coreografias de uma década” (Casa da Palavra.RioArte), do pesquisador Roberto Pereira, co-curador do Panorama, e da jornalista Adriana Pavlova, que conta a história do festival. O livro inclui uma cronologia dos espetáculos apresentados ao longo da última década e um pequeno panorama dos espetáculos selecionados pela curadoria de Lia Rodrigues, Gustavo Ciriaco e Paulo Caldas. Adriana Pavlova lembra que, desde a primeira edição, o Panorama passou a funcionar como importante ponte entre novos criadores brasileiros e produtores de dança estrangeiros:
— Nomes que hoje têm carreira internacional participaram do festival. O Bruno Beltrão, por exemplo, foi mostrado no Panorama pelo Gustavo Ciriaco no início da carreira e hoje está indo para a Bienal de Lyon, o mais importante festival de dança contemporânea do mundo.
Outro coreógrafo que ganhou o mundo a partir do Panorama foi o gaúcho Pablo Chacón, que hoje mora na França, mas é presença forte no festival. Ano passado, ele mostrou, com o Grupo de Rua, o espetáculo “Eu e meu coreógrafo no 63”, no Sérgio Porto, e agora está no Panorama de hoje com “Mazy”.
O Panorama é também espaço de encontro para o público. No domingo, a festa continua com a presença de criadores da cidade que preparam espetáculos novos para serem apresentados na edição especial do festival em 2002.
Continua na página 3
Dez anos de palco
1992: O grupo Lia Rodrigues se apresenta pela primeira e única vez no festival.
1993: Deborah Colker faz sua primeira apresentação.
1994: A participação se intensifica.
1995: O livro “Dança” entra na platéia e o curador Daniel Lins chega.
1996: A francesa Christine Gérard estreia no festival.
1997: O Panorama cresce e ganha o horário nobre do Teatro Carlos Gomes.
1998: Angel Vianna, mestre de várias crias do festival, comove na noite de abertura.
1999: Platéia se divide entre o amor e o repúdio pelos francês Jérôme Bel.
2000: A companhia francesa Mazy Marlin, pela primeira vez, lota o João Caetano.
2001: “Os novíssimos” ocupam o Sérgio Porto.
A CIA. DE DANÇA de Rua de Niterói é uma das apostas da décima edição do Panorama, apresentando o espetáculo “Eu e meu coreógrafo no 63”, amanhã, no Sérgio Porto.
Crédito da foto (dançarina no chão):
GILLES JOBIN — mostra “The moebius strip” no domingo
A DUPLA IKSWALSNlATS
volta à cena no festival,
apresentando “Mildred
mildred”


