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A todo vapor em marcha ré
Ovações de pé para Bruno Beltrão & Grupo de Rua no festival de dança Steps
Basler Zeitung
Os dançarinos do Grupo de Rua dispensam o exibicionismo e transformam passos antigos em novos — assim nunca se viu hip-hop em Brasileia.
O piso preto do palco brilha e reflete como asfalto molhado à luz de um poste de rua. Nos cantos do retângulo do palco, quatro homens agachados aguardam. Com seus olhares, eles tecem uma rede de linhas invisíveis, uma trama energética que abrange todo o espaço. De repente, a tensão se descarrega. Os quatro corpos correm uns em direção aos outros, passando a poucos centímetros uns dos outros. Eles circulam uns aos outros, chutam, batem, se abaixam. A fronteira entre dança e luta é fluida na peça “H3”, do coreógrafo Bruno Beltrão.
IMAGEM ONÍRICA. O brasileiro de 30 anos, com os nove dançarinos de seu Grupo de Rua, trouxe o hip-hop da rua para o palco – e o transformou. Sem rap, sem batidas e com apenas algumas acrobacias, restam movimentos brutos que Beltrão e seus dançarinos aperfeiçoaram. Da redução surgiu uma nova riqueza. A lembrança das origens está presente: no início da peça, um raio de luz atravessa o palco escuro do quartel, motores zumbem ao longe, buzinas baixas podem ser ouvidas. O cenário parece a imagem onírica de uma rua, irreal e, no entanto, familiar.
Nessa rua começa, de forma suave e delicada, o que se intensifica ao longo da hora seguinte, transformando-se numa mistura explosiva de agressividade e elegância.
TRUPPE. Inicialmente, apenas um espasmo percorre o corpo do primeiro bailarino, como se fosse puxado por fios, levantando joelhos, mãos e cotovelos. Em seguida, os movimentos de todo o grupo aceleram até um dos vários clímax: os dançarinos correm a toda velocidade em círculo, todos na mesma órbita, mas sem colidir. Eles controlam totalmente o espaço e os corpos – e logo também o público.
TÊNIS. É verdade que Beltrão exige bastante concentração do espectador. Em vez da música, dominam as respirações dos dançarinos, o rangido dos tênis e o bater dos pés no chão. Mas a coreografia impactante surpreende repetidamente com um humor refinado, a presença e a precisão do grupo conduzem a noite – e arrancam o público de seus assentos.
Quando os aplausos não param, o Grupo de Rua faz um bis. Com exatamente as cambalhotas, piruetas e saltos mortais que a coreografia de Beltrão havia expressamente dispensado. Isso vai contra o conceito da noite. Mesmo assim, é espetacular e emocionante.
> Outras apresentações no âmbito do Festival Steps: [www.steps.ch](http:..www.steps.ch)


