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Dança hip-hop: a bomba Beltrão

Martine Pullara

Lyon Capitale

Proveniente da streetdance (incluindo hip-hop e break), o coreógrafo brasileiro Bruno Beltrão está em Lyon pela primeira vez. Como um OVNI que pousa no planeta dança, seu espetáculo *H3* é um verdadeiro tapa artístico que revela uma escrita totalmente reinventada e magistral. Queremos mais! Foi preciso esperar quatro anos para que esse artista fosse finalmente programado na Maison de la Danse, apesar de a peça que ele apresenta datar de 2008.

Era preciso apenas ter vontade de correr o risco de trazê-lo, porque seu trabalho está muito longe do que normalmente é oferecido — um hip-hop estético que se contenta em “dançar bem”. Bruno Beltrão tem 33 anos e dança desde os 6. Ele conhece profundamente as danças urbanas. Aos 16 anos, criou sua companhia Grupo de Rua de Niterói, que rapidamente percorreu festivais e competições. Aos 20 anos, voltou-se para a dança contemporânea e iniciou estudos de filosofia e história da arte, que influenciariam sua pesquisa artística. O espetáculo começa no silêncio, com leves ruídos de rua ao fundo.

Primeiro risco: instalar a dança sem música. Na frente do palco, os dançarinos chegam uns após os outros. A partir daí, surgem encontros estranhos, cada um se testando no confronto com o outro. Já nesse início, a escrita habitual do hip-hop se desfaz enquanto eles tentam criar múltiplas partituras. Existe entre eles uma grande escuta; são jovens e o que apresentam revela uma consciência extrema do movimento, abrindo caminho para a busca de um sentido que construirá o espetáculo.

**Um artista de gênio**

O objetivo do coreógrafo é transformar o vocabulário codificado do hip-hop, usar a dança contemporânea para chegar a uma dança que já não tem referências e que se torna pura matéria criativa. A construção do espetáculo é abstrata, sem cenários, sem figurinos, sem concessões. Mas a escrita é surpreendente, de uma inteligência impressionante, que nunca deixa de solicitar nossa atenção. Tudo é ritmado por trajetórias desviadas e movimentos tanto invertidos como revertidos. O coreógrafo explora o espaço, mas também os corpos, e nos desmonta por completo.

Saltos na luz, entrelaçamentos e desdobramentos de corpos, suspensões de torsos de cabeça para baixo, corpos dobrados em direção ao chão que giram, interrupções seguidas de impulsos, choques secos ou abafados, corridas alucinantes para trás, corpos que se chocam, corpos que se cruzam em descompasso, corpos que empurram outros para o centro para relançar a energia do círculo…
Complexa e sempre em evolução, a dança está exatamente onde deve estar, independentemente do lugar em que o corpo pousa.

A música — minimalista e precisa — evita efeitos sonoros óbvios, enquanto a iluminação destaca certas partes dos corpos e complementa discretamente a escrita da obra. Ao longo do espetáculo, Beltrão demonstra uma dança que se liberta de si mesma, mas também do palco. Começa num “ringue” propício ao confronto; pouco a pouco, os contornos luminosos da cena se deslocam, movem-se e escapam do espaço definido. A dança se escreve lentamente nas alturas do palco.

Há muito tempo esperávamos um espetáculo que finalmente trouxesse algo novo — algo nunca visto — capaz de provocar tanto prazer quanto emoção, no plano intelectual e físico. *H3* não é apenas um espetáculo diferente de hip-hop. É um espetáculo de dança contemporânea criado por um artista que realmente possui um gênio criativo. E já esperamos o próximo com impaciência!

**H3, de Bruno Beltrão. Até 17 de novembro, na Maison de la Danse.**

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