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Das favelas do Rio para os palcos mundiais

Daniel Kepl

Santa Barbara News-Press

O iconoclasta grupo de dança brasileiro formado exclusivamente por homens, Grupo de Rua, desconstruiu o hip-hop latino na noite de terça-feira no Campbell Hall

Bruno Beltrão fundou seu Grupo de Rua, uma companhia de dança de hip-hop brasileira formada exclusivamente por homens, no Rio de Janeiro em 1996, aos 16 anos. Satisfazendo sua obsessão desde os 9 anos, quando começou como artista de rua em A Cidade Maravilhosa, ele elevou as formas de dança urbana contemporânea de seus conterrâneos cariocas à alta arte.

A musa de Beltrão o serviu bem, e o Grupo de Rua agora se apresenta em todo o mundo, desconstruindo a compreensão genérica do público sobre o hip-hop – descartando grande parte de seu vocabulário musical preestabelecido e dando à própria forma uma estética nova e intrigante.

A nova peça do Maestro Beltrão, “H3”, começou em silêncio – um delicioso choque para as expectativas do público. Dois homens, exalando desafio machista e testosterona, confrontam-se, assim como o público; seus corpos imóveis, seus rostos contam a dura história de suas vidas. A iluminação é escura, sombria; a aura é perigosa, sensual e irresistivelmente sedutora, reforçada por uma discreta paisagem sonora de ruídos de rua. Primeiro um, depois o outro, começa a se mover: “contração” seria o substantivo ativo – e o milagre surpreendente começa. Quando o primeiro segmento escurece, o público já viu a tensa quietude se transformar em um furacão humano à medida que a companhia se apresenta – gradualmente a princípio, mas aumentando progressivamente, furtivamente, o número de pessoas no palco, as interações entre os homens cada vez mais frenéticas conforme o espaço se torna mais restrito: uma metáfora para o ambiente do gueto que esses dançarinos conhecem tão bem.

Os nove jovens do Grupo de Rua, sob a rigorosa orientação e o preciso vocabulário coreográfico do Sr. Beltrão, refinaram uma gama de movimentos reconhecíveis do hip-hop, unindo-os à estética da dança contemporânea e criando um híbrido extremamente atlético, tecnicamente complexo, visualmente cativante e surpreendentemente virtuoso. Ao longo de “H3”, o público presencia diversos pas de deux exclusivamente masculinos disfarçados de variações de rituais de acasalamento masculinos; proezas do corpo de baile de incrível sincopação que liberam energia na sala em ondas de machismo – saltos e giros, elevações e sustentações que teriam feito o corpo de baile dos Ballets Russes hesitar, senão voar.

Conforme a noite avançava – “H3” é apresentado sem intervalo – os segmentos se tornavam ainda mais fascinantes, à medida que cada um dos bailarinos se revelava, cuidadosamente, como ser humano; suas interações, embora abertamente agressivas, eram mais íntimas. Os complexos duelos de gestos entre os homens – executados com a precisão de uma esgrima (golpes reais desviados por milímetros) – comprovam visualmente a maestria coreográfica de Bruno Beltrão.

A iluminação em "H3" foi apropriadamente minimalista, lembrando ao público que os dançarinos de rua trabalham sob a luz dos postes. Contudo, o minimalismo é uma arte em si, e o designer de iluminação Renato Machado criou efeitos impressionantes com luz literalmente em preto e branco. Ilusões visuais que remetem ao cinema noir, misturadas a uma fusão de música eletrônica e percussiva, intensificaram a atmosfera da noite.

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