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Dez anos de dança
Grupo de Rua de Niterói completa uma década de formação e reconhecimento internacional, com apresentação na Escócia
MÁRCIO MAIO
Livro 10 anos de dança
Quando Bruno Beltrão se juntou a Rodrigo Bernardi para arrumar um jeito de continuar dançando hip hop em Niterói, não imaginou que esse sonho fosse tomar proporções tão além das esperadas. Fundadores do Grupo de Rua de Niterói, os dois conseguiram, com muito trabalho e falta de incentivo público, levar a arte para vários cantos do mundo. Hoje, sem o colega Rodrigo, Bruno comemora dez anos de formação e reconhecimento internacional, tanto que eles se apresentam em agosto na Escócia, durante seis dias.
Tudo começou em 15 de julho de 1996, quando Bruno e Rodrigo, na época com 16 anos, selecionaram dançarinos para o GRN na tentativa de representar a cidade no circuito hip hop. A primeira sede para os ensaios – três vezes por semana – foi a academia Rose Mansur, em Icaraí. Preparados, começaram a se apresentar em festivais por todo o país e, no último, conseguiram patrocínio para disputar uma competição em Nápoles, na Itália, em março de 1999.
"Dos nove festivais que nos inscrevemos, saímos vitoriosos em todos. Com números assim, nossa principal batalha foi criar coragem e parar de competir. Apesar de ser a única saída vista por vários grupos de dança, não nos preparava para o mercado profissional", lembra Bruno.
O primeiro espetáculo com participação dos dançarinos, **Caiu do Céu**, foi em 2000. O projeto era do Circo da Madrugada, companhia do diretor francês Pierrot Bidon, e levou o grupo a Lyon, na França, para sua última participação.
Cursando Dança, o rapaz começou a rever seus valores e teorias sobre seu universo, mudando a linha de trabalho do GRN.
"A gente já estava cansado de ficar explorando a cultura e as novidades que vinham de fora. Os grupos daqui têm total capacidade de criar e de traduzir sua própria experiência local e cultural, não precisam trazer de fora", critica.
Em 2001, o convite para criar um trabalho e integrar a mostra **Duos de Dança**, no Sesc, primeira oportunidade concreta de demonstrar as novas referências dos integrantes. Depois vieram mais quatro espetáculos, **Eu e meu coreógrafo no 63**, **Tôo Legit to quit**, **Telesquat** e **H2-2005**, este último o mais maduro na opinião de Bruno.
"Ele marcou o início da nossa profissionalização. Apesar de ter vindo depois do início da nossa carreira internacional, foi nossa primeira co-produção com determinados festivais europeus que trouxeram muito reconhecimento", explica Bruno.
Falar em carreira internacional não é um exagero para o coreógrafo. Ao todo, o Grupo de Rua de Niterói já se apresentou em mais de 14 países, entre eles Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Áustria, Croácia, Espanha, Finlândia e Japão.
"É muito embaraçoso ter um reconhecimento enorme lá fora e voltar para o seu país sem ao menos ter lugar para ensaiar", desabafa o coreógrafo.
**Falta incentivo**
Apesar da trajetória de sucesso dentro e fora do País, o Grupo de Rua de Niterói continua com dificuldades estruturais. A maior delas, sem dúvida, é a falta de um espaço fixo para ensaiar.
A situação é tão difícil, que os bailarinos só se reúnem quando está de viagem marcada para o exterior.
"Quando vamos nos apresentar fora do Brasil, essa agenda gera uma verba capaz de sustentar nossos ensaios, mas isso é humilhante", lamenta Bruno Beltrão, um dos fundadores do GRN.
A solução, na visão do grupo, seria encontrar pequenas empresas privadas dispostas a, juntas, investirem num patrocínio anual para o GRN. Assim, estaria garantida uma estrutura mínima para que o trabalho dos integrantes não precisasse parar por falta de incentivo.
**[Legenda da foto superior]** Nascido em julho de 1996, o GRN levou o hip hop para mais de 14 países, vencendo todos os festivais dos quais participou. "É muito embaraçoso ter um reconhecimento enorme lá fora e voltar para o seu país sem ao menos ter lugar para ensaiar", desabafa o dançarino Bruno Beltrão (abaixo).
**[Legenda da foto do meio]** Detalhes de uma trajetória de sucesso
**Comemoração foi adiada**
O aniversário do Grupo de Rua de Niterói foi dia 15 de julho, mas a comemoração acabou sendo adiada. Uma grande festa está prevista para outubro, reunindo as pessoas que passaram por todas as formações do GRN, ao todo mais de 70 bailarinos.
"Queremos celebrar ao lado de quem participou do crescimento dessa companhia. Vamos chamar vários dançarinos de rua e mostrar algumas das nossas criações", finaliza o fundador.


