top of page
preto.png

Add a Title

Add paragraph text. Click “Edit Text” to update the font, size and more. To change and reuse text themes, go to Site Styles.

Add a Title

Add a Title

ant
Logomarca - GRUPODERUA
prox

Edimburgo

Teddy Jamieson

Não há muitas coisas neste mundo pelas quais possamos agradecer ao “rapper” MC Hammer dos anos 90.

Calças ridiculamente largas, bonecos e lancheiras do MC Hammer, a insuportável música U Can't Touch This: é o material dos pesadelos. Mas há uma possível marca positiva no currículo do homem também conhecido como Stanley Kirk Burrell. O popstar do hip-hop que se tornou pregador pode pelo menos reivindicar alguma responsabilidade por Bruno Beltrão.
Foi ouvindo Hammer e aquele outro colosso musical, Vanilla Ice, nas boates de Niterói, nos arredores do Rio de Janeiro, que Beltrão se interessou pela primeira vez pelo hip-hop. Ele tinha 13 anos na época. Cerca de 13 anos depois, esse interesse o trouxe a Edimburgo. Este mês, ele está na capital com sua companhia de dança, o Grupo de Rua de Niterói, combinando movimentos de hip-hop com uma atitude de dança contemporânea e envolvendo tudo isso em telas de vídeo e até mesmo silêncio (já é mais musical do que qualquer coisa que MC Hammer já nos deu). No Festival Internacional de Edimburgo deste ano, é hora de Bruno.

Aqui está o que você precisa saber sobre Bruno Beltrão. Ele é um coreógrafo que não dança. É um estudante de filosofia que cresceu amando o hip-hop. É um brasileiro que não quer falar sobre futebol ou pobreza. Ele adora aprender, odeia a homofobia e “Bush” (e isso é George W., antes que você tire conclusões erradas). Ele diz que é tímido, mas lidera uma companhia de dança que viaja pelo mundo. Se é sexta-feira, deve ser Escócia.

Estamos nos encontrando no Premier Travel Inn de Edimburgo durante uma visita rápida à cidade antes de seu retorno à Escócia. Amanhã ele vai encontrar sua namorada em Helsinque, onde ela estuda.
Hoje ele está me contando em seu inglês perfeitamente funcional

como chegou aqui.
Beltrão criou sua companhia de dança quando tinha apenas 16 anos, patrocinado por seu pai, três anos depois de começar a frequentar boates em Niterói.

Posso dizer que a família é muito importante”, diz ele. “Trabalho com muitos dançarinos no Brasil que não têm nenhuma estrutura, nenhum apoio.” Logo ele estava montando coreografias para festivais de dança competitivos, que são uma característica da vida brasileira. “Os festivais só nos deixavam apresentar por cinco minutos, então colocávamos tudo nisso”, lembra. Eles nunca perderam. Beltrão, porém, estava irritado com as restrições da cultura hip-hop. Ele tinha planos maiores, ideias mais grandiosas. “Eu queria colocar mais conteúdo”, diz.

Na universidade, ele descobriu a filosofia e a dança contemporânea. Ambas foram fundamentais para sua decisão de tirar a atitude de rua de sua visão da dança de rua. Ao contrário de grande parte da comunidade hip-hop, ele não tem interesse em “manter a autenticidade”, seja lá o que isso signifique. “Estávamos indo contra todas as regras”, diz Beltrão, irritado com o conservadorismo da cultura que ele cresceu amando. “No hip-hop, não há interesse em ler nada. Não há interesse em ir ao teatro ou a outras apresentações que possam trazer novas ideias.

Eu queria me apropriar dessa linguagem, fazer algo novo, fazer algo que pudesse dizer mais sobre minha cidade, minha região ou meu povo.” O trabalho de Beltrão é tudo menos conservador. Ele fala sobre coisas como o machismo brasileiro — com dançarinos se beijando — e a manipulação da realidade pela mídia. É claro que eles falam sobre isso de uma maneira atlética. A boa forma física faz parte das especificações do trabalho, para os dançarinos.

preto.png
bottom of page