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Grupo de Rua completa 10 anos
O Fluminense
Neste mês, a primeira companhia de dança de rua de Niterói, fundada por Bruno Beltrão e Rodrigo Bernardi, está completando 10 anos de existência com muita historia para contar. Das boates da cidade até importantes palcos do mundo, o Grupo de Rua de Niterói se projetou internacionalmente como referencia de um trabalho que utiliza as danças de rua num ambiente de experimentação, característico da dança contemporânea. No dia 15 de julho de 1996 os jovens coreógrafos Bruno e Rodrigo, na época com 16 anos, realizaram a primeira seleção de dançarinos para o GRN, onde foram escolhidos 16 jovens.
O objetivo era representar a cidade onde quer que fossem. - O perfil dos dançarinos do grupo no início era de jovens começando a decidir a carreira profissional. Alguns continuaram trabalhando com dança, outros foram para o teatro, circo e hoje o GRN é composto por 15 dançarinos com grande domínio técnico das danças de rua. De 96 até hoje, mais de 70 passaram pela companhia.- comenta Bruno. A academia Rose Mansur foi a primeira sede do GRN, que ensaiava 3 vezes na semana para se apresentar em festivais cariocas de dança.
Os festivais competitivos eram o principal espaço de apresentação para os grupos de dança amadores. Foram 9 festivais, dos quais venceu todos, o ultimo em março de 99, em Nápoles na Itália. Foi a primeira vez que receberam um apoio do Governo do Estado, que patrocinou as passagens dos 14 integrantes. - O primeiro grande desafio que tivemos foi ter a coragem de parar de competir, pois apesar de sabermos que os festivais não nos preparava para o mercado profissional de dança, todos os grupos insistiam em vê-los como a única saída. – conta Bernardi.
Em 2000, o Grupo de Rua participou em um espetáculo chamado “Caiu do Céu” do Circo da Madrugada, companhia do diretor francês Pierrot Bidon. Sua ultima participação foi em Lyon, na França. Nesta mesma época o grupo participava de campanhas publicitárias para empresas, aberturas de shows, programas de TV e participação em diversos projetos sociais no Estado do Rio.
Mas também durante este período, ao mesmo tempo em que vivem intensamente o universo hip hop, as técnicas da dança de rua na sua forma padrão e o modo com que invariavelmente subiam os palcos, passam a não representar ideais como antes. Pelo contrário, começa nascer o desejo de exercitar novos olhares à prática virtuosística esvaziada e liberá-la da placenta da sua própria definição.
Um passo importante foi ter encontrado a faculdade de Dança da UniverCidade - RJ, onde as questões em relação a dança de rua encontraram suportes teóricos e idéias capazes de encorajar a companhia a ler e reler o hip hop de várias maneiras. Em 2000, Bruno ingressou na faculdade onde descobriu a filosofia, o universo da dança contemporânea e através de seus professores e mestres Roberto Pereira e Silvia Soter, sofreu uma revisão sobre suas teorias e idéias de dança, que se transfomaram em iniciativa prática e teve seu resultado apresentado no ano seguinte.
- Estávamos saturados de qualquer coisa que vinha dos meios tradicionais de comunicação de massa, saturado com a superficialidade com que tudo era tratado inclusive no hip hop. A experiência dentro da faculdade de dança foi sem dúvida importantíssima para enxergar a dança de rua fora de suas regras internas. Ali um universo muito grande se abriu, a rede aumentou, as referências se ampliaram e o hip hop para a gente virou um objeto a ser problematizado – conta Bruno. Em 2001, a companhia foi convidada a criar um trabalho para a mostra "Duos de Dança no SESC" no Rio de Janeiro.
Era ali, a primeira oportunidade concreta de, em forma de dança, materializar a avalanche de novas referências que a faculdade despertou. - Eram artifícios antigos na dança contemporânea, mas muito pouco exploradas com o próprio hip hop.- completa Bernardi. **“Do popping ao pop ou vice-versa”**(2001) apresentou Bruno, Rodrigo e a companhia à comunidade da dança contemporânea carioca e foi um divisor de águas na carreira do Grupo de Rua. Suas criações seguintes foram: **"Eu e meu coreógrafo no 63"** (2001), **“Too Legit to quit”** (2002), **“Telesquat”** (2003) e **“H2-2005”** (2005).
Em 2002, o GRN iniciou uma produtiva carreira internacional tendo se apresentado até hoje em 14 países (Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Áustria, Croácia, Espanha, Finlândia, Itália, Escócia, Argentina, Japão e Coréia do Sul), em mais de 50 cidades ao redor do mundo. **H2 2005** foi a primeira co-produção da companhia com os festivais europeus Springdance Festival – Holanda; Tanzhaus – Alemanha; Hebbel Theater – Alemanha; Kunsten Festival des Arts – Bélgica; Wiener Festwoche – Áustria; Festival d'Automne – Paris; e La Ferme du Buisson – Paris.
O espetáculo estreiou no Brasil em novembro de 2005, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, dentro da programação do Panorama Rioarte de Dança. No final do ano passado, Bruno Beltrão foi eleito o coreógrafo revelação do ano pela mais respeitada revista de dança européia, a alemã BalletTanz. O Grupo de Rua está preparando seu 6º projeto, a criação de um **software** para registro e organização de processos de criação, um **quarteto** e um **filme** de dança.
**O GRUPO DE RUA E A CIDADE DE NITERÓI**
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Apesar da trajetória construída, o trabalho continua encontrando dificuldades em termos estruturais por aqui. A companhia perdeu da Prefeitura de Niterói seu local de ensaio e os bailarinos só se reúnem quando as viagens para o exterior se aproximam. - A Prefeitura não conseguiu imprimir uma marca em termos da gestão cultural na cidade. A Secretaria de Cultura barganha demais com o dinheiro de nossos impostos. Usa-o de forma pouco ambiciosa e não pensa Niterói a médio e longo prazo.
Confundem desenvolvimento cultural com projetos assistencialistas nos bairros da cidade. A maioria das coisas são feitas para gerar resultado local para os próprios governantes. Se soubessem separar isso, não teriam como ignorar a forma como o GRN exaltou a cidade nos 14 países por onde passou – lamenta Bruno. Agora o GRN procura por pequenas empresas, que juntas, possam investir num patrocínio anual, construindo um mínimo de estrutura para trabalharem continuamente.
Fazendo parte das comemorações pelos 10 anos, a companhia apresenta, pela primeira vez, todo o seu repertorio de 5 espetáculos num dos maiores festivais de arte do mundo, o Edinburgh International Festival, na Escócia. Neste evento que acontece em agosto, estarão se apresentando grandes referências da dança mundial, como por exemplo, o Nederlands Dans Theater.
**NO SEGUNDO SEMESTRE, A COMEMORAÇÃO**
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Mas como não poderia passar em branco a companhia promete preparar uma festa em Niterói, no mesmo local onde Bruno e Rodrigo arriscaram os primeiros passos aos 13 anos de idade.
- Queremos fazer uma grande comemoração que reúna as pessoas que participaram do crescimento desta companhia. Vamos chamar muitos dançarinos de rua e mostrar algumas de nossas coreografias. – finaliza Beltrão.


