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Jérôme Bel apresenta trabalho em forma de palestra

Amanhã, coreógrafo divide o espaço do Itaú com o brasileiro Bruno Beltrão

Helena Katz

O Estado de S. Paulo

Serão somente duas oportunidades, hoje às 21 horas e amanhã às 19, para assistir, no Itaú Cultural, a *Le Dernier Spectacle*, palestra.espetáculo de Jérôme Bel, mas apenas no amanhã teremos a chance de conhecer, em vídeo, parte do novo trabalho de Bruno Beltrão, o talentoso diretor e coreógrafo do Grupo de Rua de Niterói. Essa nova criação, produzida somente com dinheiro europeu, estreará em abril na Holanda; no Springdance, um dos mais importantes festivais por onde se apresentam (foram todos seus prêmios).

Trata-se de uma iniciativa a ver luzes de Sônia Sobral, coordenadora de artes cênicas da instituição, que conseguiu realizar lá uma audição pré-estréia mundial de *H2–2005*. O nome, ainda provisório, significa *Hip Hop 2005*, informa Bruno, em entrevista telefônica ao *Estado*. Seu trabalho chamou a atenção de programadores europeus, mas no Brasil a situação de sua companhia é tão precária quanto a da maior parte dos que insistem em ver profissionalmente a dança no nosso país.

“Da Prefeitura de Niterói, recebemos somente cerca de R$ 7.100,00, o correspondente à primeira parcela dos R$ 20 mil anuais prometidos para o ano passado e até agora não tivemos nenhum outro subsídio desde novembro.”
O fascínio dos europeus é justificado, pois Bruno Beltrão mistura de forma surpreendente o hip hop com dança contemporânea. Já exibiu *Do Popping ao Pop ou Vice-Versa* (2001), *Eu e Meu Coreógrafo no 63* (2001), *Too Legit to Quit* (2002) e *Telesquat* (2003).

Seu diferencial está no fato de investigar o vocabulário e a gramática do hip hop com perguntas típicas da dança contemporânea. É assim que chega a resultados singulares e inovadores. Para o novo trabalho, por exemplo, propôs que os 16 bailarinos envolvidos estudassem o CD de William Forsythe e obras de Merce Cunningham. “Queria explorar o espaço como hip hop também entende isso, porque desse tipo de relação do indivíduo com o coletivo, que se constitui em uma de suas características mais fortes. Forsythe interessou, pois também parte do desejo de atualizar uma técnica já codificada.

No caso dele, é o balé, e no nosso, o hip hop. Forsythe, hoje, se tornou o queridinho deles.”
Bruno Beltrão fez audições em Belém, Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e Rio. “Belém foi uma surpresa e tanto, pois descobri lá, em meio a uma pobreza absoluta, um contingente brasileiro de competências que eu desconhecia completamente.”
Nos primeiros trabalhos, abandonou o virtuosismo, mas agora se sente confortável para retomar o repertório virtuoso e ao mesmo tempo questioná-lo no contraponto entre virtuosismo e contemporaneidade.

Dos 16 participantes, 6 são de Belém; os demais, são dos arredores de Niterói. “Era um desafio e tanto trabalhar com muita gente nesse tipo de interface entre hip hop e dança contemporânea, pois é justamente esse o fio de investigação. Desde novembro, já chegamos a uma relação ao espaço.”
Hoje, Jérôme Bel apresenta *Le Dernier Spectacle* (2004) na forma de palestra.espetáculo e também *Shirtology* (1997), com Frédéric Seguette.

Amanhã, o programa será composto por *Shirtology* e pela apresentação, em vídeo, de trechos de *H2–2005* e de *Le Dernier Spectacle*, acompanhados de conversas e comentários ao vivo de Bruno Beltrão e Jérôme Bel. Como o ingresso é gratuito, recomenda-se chegar mais cedo.

**Serviço**
**Jérôme Bel. Itaú Cultural.**
Av. Paulista, 149, 2168-1776. Hoje, às 21h; amanhã, às 19h (com participação de Bruno Beltrão).
*Gratuito (retirar ingressos com meia hora de antecedência).*

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