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Lançando luz sobre o hip-hop

Esqueça os machões arrogantes e as joias chamativas. O coreógrafo brasileiro Bruno Beltrão despojou o hip-hop de sua ousadia para revelar sua mortal discrição e sua graça ameaçadora e intimidadora.

Os nove homens do Grupo de Rua, reunidos nas ruas do Rio de Janeiro, se apresentaram em quase silêncio, pontuado apenas pelo suave barulho do trânsito ou batidas eletrônicas.
Eles trocaram a rima dos raps obscenos pela pura poesia de um corpo musculoso ondulando ou um redemoinho de dançarinos correndo de costas em círculos. Com H3, o coreógrafo esculpiu uma revolução limpa e requintada do hip-hop.
Com cotovelos empurrando e joelhos girando, acompanhados pelo suave rangido dos pés calçados com tênis, os dançarinos desconstruíram os pilares do estilo de dança de rua, isolando e esticando seu vocabulário, como o krumping e o popping.

Beltrão desacelerou o ritmo, tornando-o suave, e voltou a atenção para o corpo e a delicadeza de cada movimento.

Muitas vezes, ele manteve a alegria desse estilo de dança de rua, como quando dois dançarinos, confrontando-se, começaram a se bicando como pombos.

Sob pouca luz, dois dançarinos encenaram um dueto assustador de batalha de rua. Às vezes, eles jogavam seus corpos violentamente no chão. Outras vezes, agachavam-se e rolavam com as mãos e os pés, correndo a uma velocidade feroz pelo palco.

Com vigor, equilíbrio, força e controle de tirar o fôlego, os nove dançarinos passavam de giros vigorosos a paradas absolutas e imóveis.

A iluminação elegante do designer Renato Machado refletia a estética limpa dos corpos dos dançarinos. Da iluminação em ângulo baixo que iluminava os dançarinos agachados aos tubos fluorescentes que expunham a desordem das estruturas de aço nos bastidores, a encenação era inteligente, minimalista e impactante.
Entrando e saindo das sombras, os dançarinos pairavam, tão indescritíveis quanto essa nova e profunda vertente do hip-hop criada por Beltrão.

Com sua maneira discreta, mas insistente, ele rejeitou a política da arte erudita e popular.
Ele considerava natural que a arte existisse em todos os lugares e não devesse ser confinada ou compartimentada, encontrando um meio-termo entre a rua e o palco.
Abandonando o teatro extravagante da moda hip-hop americana na cultura pop e na MTV, o hip-hop talvez nunca mais seja o mesmo depois de Beltrão. O Grupo de Rua mostrou o que é manter a autenticidade.

críticos instantâneos
Life! pede a opinião do público do IB:

[Foto da Sra. Leona Wee]
“Eles eram muito habilidosos em termos de técnica. Eu gostei muito. Eles saltavam muito alto e eram muito ágeis. Devem ter testado o limite do público, porque este começou a ficar inquieto quando não havia música, apesar de os dançarinos se movimentarem freneticamente. ”
— Sra. Leona Wee, 38, instrutora de dança

[Foto do Sr. Bernard Phua]
“Achei um pouco moderno. Não entendi muito bem a dança, mas o que realmente apreciei foi a energia e a intensidade dos movimentos deles. O que eles fizeram exigiu muita habilidade, força e agilidade. Gostei dos movimentos, mesmo sem compreendê-los completamente.”
— Sr. Bernard Phua, 38, consultor jurídico

Legenda:
H3 substituiu as palavras grosseiras do hip-hop por quase silêncio, corpos musculosos graciosos e movimentos surpreendentes. FOTO: CONSELHO NACIONAL DE ARTES

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