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'H2' do Grupo de Rua no Springdance Festival, 2005

Ao voltar ao Brasil, Bruno, Rodrigo e as produtoras Norma e Ana se viram no meio de uma tempestade. Um grupo de mães, apreensivas com a segurança de suas filhas durante uma temporada na Itália, acusou o grupo de falta de comunicação, desencadeando um intenso conflito. A situação escalou ao ponto de afetar o financiamento do grupo pela Neltur, empresa de esportes e turismo de Niterói, que decidiu suspender sua ajuda de custo de  dois mil reais dado a todo o grupo.

Enquanto a confusão se instalava, Bruno se viu num momento decisivo. Além da tensão no grupo, ele também estava no fim de seus estudos secundários, debatendo-se com a escolha de qual faculdade cursar. Desiludido com os projetos temporários e superficiais que vinham fazendo, Bruno sonhava com algo mais significativo. Ele estava dividido entre seguir um curso em cinema ou em dança. Influenciado por Vanessa e Tânia Mara, que já estavam na faculdade de dança, Bruno começou a considerar seriamente essa última opção.

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 GRN/DOC 

Das matinês em Niterói até aos palcos internacionais, o percurso do Grupo de Rua é indissociável das suas raízes. Neste microsite, regressamos ao passado para descobrir toda a viagem até aos dias de hoje.
 

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2005

Conquistar espaço

Em 2005, H2 marcou a entrada do Grupo de Rua em um modelo internacional de coprodução, reunindo festivais europeus numa iniciativa articulada por Simon Dove, então diretor do Springdance, em Utrecht.
A peça conta com um grupo de quatorze dançarinos, escolhidos entre 250 candidatos de todo o Brasil. 

Em H2, Beltrão toma o top rock, parte do breaking executada em pé, como princípio de conquista do espaço cênico. Em vez de funcionar apenas como passagem para o trabalho no chão, ele se expande em deslocamentos, aproximações e confrontos entre os quatorze intérpretes.

A obra investiga códigos de masculinidade e a tentativa, sempre instável, de construir uma dança coletiva a partir das técnicas do hip-hop.

Em 2005, a revista alemã Ballettanz escolheu Bruno Beltrão como Upcoming Choreographer of the Year.

Patrocinio

GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Secretária de Cultura

HELENA SEVERO

Apoio

PREFEITURA DE CAMPOS DOS GOYTACAZES 

 

Agradecimentos especiais

João Marcos Beltrão, Norma Cassia, Prefeitura de Campos, Sub Secretário Jorge Rosa, Livia Amorim, Secretária Jane Munes, Vera Maia, Daniela Pedras, Sebastião Raphael, Caio Nunes, Vitor Ramalho, UniverCidade, Roberto Pereira, Silvia Soter, Lia Rodrigues, Adriana Pavlova, Leonel Brum, Beatriz Cerbino, Nayse Lopes, Ugo Alexandre, Fenando Coolbano, Paulo Azevedo, Gustavo Motta, Francisco Andrade, Daniel Nicolato, Rafael Durão, Marcio Garcia, Thiago Hortala, Vanessa Motta, Vora Mala, Gabriela Monnerat, Mano Kalon e Banda, Carlos Alberto (Betao), Luciano Grain (Perereca)

 

Todos os professores, alunos o moradores da

CONUNIDADE TIRA-GOSTO

COMUNIDADE BALEEIRA

Escola Visconde do Rio Branco
CRIAM - Centro de atendimento ao menor

 

JORNAL A NOTÍCIA

TV LITORAL

TV PLANÍCIE

TV RECORD

JORNAL MONITOR

Ugo Alexandre, Bruno Beltrão.  Sid Yon, Leozin, Joao e Bruno Duarte (ao fundo).Inoã, 2017
Ugo Alexandre e Bruno Beltrão em ensaio de Inoah. feveireiro 2017. Ao fundo, Sid Yon, Leozin, Joao e Bruninho. 

Ugo Alexandre e Bruno Beltrão em ensaio de Inoah. feveireiro 2017. Ao fundo, Sid Yon, Leozin, Joao e Bruninho. 

Uma parceria de criação

Ugo Alexandre atua na cena das danças urbanas cariocas desde 1991. Integrou, desde a fundação, o Jazz de Rua do Rio, iniciativa de Elisabeth Spinelli na Escola de Dança Spinelli, e, nos anos seguintes, passou pelo Movimento Street e liderou a Rio Hop Cia. de Performance.

Em 2004, entrou para o Grupo de Rua para substituir um intérprete em Too Legit to Quit. Durante uma viagem de grupos cariocas a Cabo Frio, Ugo soube da saída de um integrante e propôs a Bruno assumir o lugar. Pouco depois, passou a interpretar também Telesquat. As duas obras marcaram o início de sua trajetória internacional: com elas, apresentou-se em 20 países.
 
A partir de 2007, Ugo tornou-se assistente de direção do Grupo. Posteriormente, integrou os processos criativos de H3, CRACKz e INOA.
 
 

Ugo Alexandre e Bruno Beltrão em ensaio de Inoah. feveireiro 2017. 

Ugo Alexandre e Bruno Beltrão em ensaio de Inoah. feveireiro 2017. 

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Grupo de Rua - Revista TAM 3.jpg

2008

Corrida de costas em
direção a si mesmo

Em 2008, H3 estreou no Kunstenfestivaldesarts, em Bruxelas, aprofundando questões abertas por H2. Criada para nove intérpretes, a obra desloca o foco para o fluxo contínuo dos corpos e para a possibilidade de contato dentro de uma dança historicamente construída como prática individual.

Repleto de duos, trios e inumeras investidas em grupo, H3 é resultado daquilo que Beltrão chamou de “hip-hop de contato”: 

Ao longo de cinco anos de circulação, H3 chegou a 16 países e tornou-se uma das obras mais apresentadas do Grupo de Rua.
A criação também marcou o início da parceria musical de Bruno Beltrão com Lucas Marcier e Rodrigo Marçal, da ARPX.

Thiago Amorim e Filipi Scudine, em 'H3', 2008
Kapu Araujo em 'Crackz', Grupo e Rua, 2013
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2013

CRACKz

Em 2013, o Grupo de Rua levou ao palco uma pergunta surgida da cultura digital: o que acontece com a autoria quando imagens e movimentos circulam, são copiados, recortados e recombinados?

Para criar CRACKz, os intérpretes buscaram na internet vídeos que lhes despertassem vontade de copiar, independentemente de seu valor estético. Durante um ano, o grupo ensaiou 28 desses fragmentos, reunidos como um “repertório de gestos da humanidade”.

O título remete ao ato de romper a proteção de um software. Entre remix, sampling e mash-up, a obra desloca a cópia da repetição para a invenção e pergunta o que ainda significa possuir um gesto depois que ele entra em circulação.

2017

Kley Almeida e Leandro Skillo em Inoã, 2017, foto karla_kalife
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2017

'Prosa guerreira'

Foi em Inoã, distrito de Maricá, que o Grupo de Rua desenvolveu o processo de criação do seu proximo projeto. Estreada em junho de 2017 no Kampnagel, em Hamburgo, durante o festival Theater der Welt, a obra reúne dez intérpretes em um espaço atravessado por aproximações, dispersões e colisões repentinas. 


Sem construir uma narrativa linear, Inoa investiga a ambivalência das relações entre indivíduos: delicadeza e violência, solidariedade e isolamento, impulso coletivo e ruptura. O vocabulário das danças urbanas é desviado de suas trajetórias habituais e transformado em pensamento espacial. Nesse coletivo instável, estar junto nunca é uma condição assegurada: é algo que se constrói, desmorona e precisa começar novamente.

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Ugo Alexandre e Bruno Beltrão em ensaio de Inoah. feveireiro 2017. 

Silvia Kamyla, Alci Kapue e Leozin Laureanno, Berlim (2022)

2022

Turvo

Apresentado inicialmente sob o título provisório New Creation, Turvo nasceu durante o avanço da extrema direita e da violência política no Brasil.

Em vez de transformar esse contexto em narrativa, a obra faz suas tensões atravessarem os corpos: aproximações convertem-se em ameaça, gestos de proteção coexistem com confrontos e alianças surgem apenas para logo se desfazer. A coreografia investiga como permanecer em movimento quando o medo, o ódio e a desinformação procuram paralisar a vida coletiva.

O título adotado posteriormente condensa a atmosfera da peça: um presente difícil de enxergar com nitidez, no qual os corpos precisam agir antes que a paisagem se esclareça. Turvo não pretende representar o país nem oferecer uma resposta. Coloca em cena a instabilidade de viver e criar em meio às suas fraturas.


De Niterói para o mundo 

Em 1999, Metrópole levou o Grupo de Rua pela primeira vez ao exterior, para uma competição em Nápoles. Três anos depois, a apresentação de Do Popping ao Pop nos Rencontres chorégraphiques de Seine-Saint-Denis, na França, marcou a entrada contínua da companhia no circuito internacional de dança.

Desde então, os trabalhos do Grupo chegaram a 35 países e quase 150 cidades. 
De Niterói a Paris, Berlim, Bruxelas, Londres, Nova York, Tóquio, Seul e Sharjah, cada deslocamento colocou uma pesquisa criada no Brasil diante de novos públicos.

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