
2000
Chão para o paraquedas aberto
Em 2000, Bruno e seus amigos Rodrigo Bernardi, Ugo Alexandre, Paulo Azevedo e Guto Vieira receberam um empurrão de sua amigas Tania e Vanessa para mostrar suas pesquisas em hip hop na Mostra de Artes do curso de dança da Faculdade da Cidade. Nesse evento, Bruno teve um encontro com o professor Roberto Pereira, que não apenas o incentivou a se matricular na faculdade, mas também se tornou um mentor e amigo.
Entrar no Centro Universitário da Cidade abriu um novo capítulo na vida de Bruno dando início a uma transformação significativa na sua carreira artística. Com a orientação de Pereira e da professora Silvia Soter, Bruno se aprofundou no cenário da dança contemporânea do Rio. Ele foi influenciado por nomes importantes como Paulo Caldas e Maria Alice Poppe, da Staccato Cia de Dança, Esther Weitzman e Lia Rodrigues.
Além disso, começou a explorar o trabalho de ícones internacionais como Jerome Bel, William Forsythe e Anne Teresa de Keersmaeker, todos conhecidos por suas abordagens desafiadoras às formas tradicionais de fazer dança. Esse período de intensa aprendizagem e intercâmbio foi crucial para Bruno desenvolver junto ao Grupo de Rua uma linguagem coreográfica única, que eles explorariam em seus projetos futuros.


1002
Guinada à esquerda
Foi então que o grupo recebe um convite de Beatriz Radunsky, do Sesc Copacabana, para a Mostra Duos de Dança. A peça refletia as influências acadêmicas de Beltrão e seu desejo de experimentar algo diferente do que faziam antes. Do Popping ao Pop não só transformou a direção artística do grupo mas também estabeleceu a fundação para futuras produções que continuariam a explorar e expandir os horizontes de um novo campo, sugerido mais tarde pelo critico Roberto Pereira, como uma 'dança de rua contemporânea'.
A peça Do Popping ao Pop marcou um ponto de virada na trajetória do Grupo de Rua. Criada em 2001, a obra representou uma evidente e significativa ruptura com a dança de rua mais convencional que o grupo praticava, introduzindo uma abordagem que mesclava a linguagem base do hip hop com recursos há muito recorrentes na dança contemporânea.

Left turn
Left turn


2001
Dança encarnada
amizade, filosofia e chá de cogumelo
Horas antes de subirem ao palco para uma apresentação comercial de uma marca de iogurte em um centro de convenções em São Paulo, Bruno e Eduardo estavam envolvidos numa conversa casual no quarto. Sem que Eduardo soubesse, Bruno decidiu gravar esse diálogo usando-o como ponto de partida para uma profunda reflexão sobre a relação entre personalidade e gesto. A pergunta que movia Beltrão era intrigante: é possível conhecer alguém através de sua maneira de dançar?
Em 2002, essa questão ganhou vida no palco do Teatro Sergio Porto, durante o Festival Panorama da Dança, onde a peça foi apresentada pela primeira vez.

2001
Dança encarnada
amizade, filosofia e chá de cogumelo
Horas antes de subirem ao palco para uma apresentação comercial de uma marca de iogurte em um centro de convenções em São Paulo, Bruno e Eduardo estavam envolvidos numa conversa casual no quarto. Sem que Eduardo soubesse, Bruno decidiu gravar esse diálogo usando-o como ponto de partida para uma profunda reflexão sobre a relação entre personalidade e gesto. A pergunta que movia Beltrão era intrigante: é possível conhecer alguém através de sua maneira de dançar?
Em 2002, essa questão ganhou vida no palco do Teatro Sergio Porto, durante o Festival Panorama da Dança, onde a peça foi apresentada pela primeira vez.

2003
Astronautas e pinguins em guerra
A exploração teatral em "Telesquat" emprega uma abordagem mais experimental influenciada por artistas como o francês Jerome Bel.
Em Telesquat (2003), o espetáculo parece empenhado em explicar a si mesmo. Legendas identificam os gestos, um narrador comenta as ações e a música sugere o que sentir. Cada recurso promete facilitar o acesso à dança. À medida que se acumulam, palavras, sons e imagens entram em conflito, tornando incerto aquilo que pareciam esclarecer.
Entre o palco e as telas, os bailarinos assumem identidades provisórias: pinguins, astronautas, personagens de guerras imaginárias. As histórias se cruzam, os comentários se atropelam e a cena ganha a velocidade de um zapping. O público é envolvido numa montagem que diverte, seduz e sobrecarrega sua capacidade de acompanhar o que acontece.
Bruno Beltrão e o Grupo de Rua investigam o poder da televisão de apresentar o mundo junto com as instruções para interpretá-lo. Quanto mais explicações se interpõem entre os corpos e o olhar, mais a dança parece escapar. A sensação de estar informado torna-se, ela própria, parte da ficção.

